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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

O Mar por Cima

A minha opinião:
Possidónio Cachapa é um dos autores portugueses que mais gosto. A escrita é ágil e irreprensível. E a história não falha. Mesmo que custe. Aqui, recria, o ambiente de uma ilha dos Açores, com tal eficiência que sinto a claustrofobia de estar confinada.

"O que sabem as crianças que sejam capazes de pôr em palavras? Aos meninos, só se permite serem depositários de segredos duros."

Um romance forte que confirma o que já sabia. A capacidade de revelar, o bom e o mau da natureza humana, com ou sem fantasia, em histórias que fazem estremecer com o peso do mar por cima. Tanto sentimento e dor num romance de beleza impar de que não se consegue apartar. Um romance que só um grande escritor de alma lusa seria capaz de realizar. 

Dois meninos, David e Ruivo, não se esquecem. Duas personagens puras num microcosmos em que o amor não se compreende quando não se recebe. 

Autor: Possidónio Cachapa
Páginas: 288
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9789896652166
ReEdição: 2017/ junho

Sinopse:
Romance de uma intensidade crua e feroz, vagando entre as ondas e o verde dos Açores.

O mar por cima é um desafio à nossa visão do mundo, do indivíduo e do amor. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

A Vda Sonhada das Boas Esposas

A minha opinião:
Possidónio Cachapa. Este nome não se esquece. E os romances que dele li também não. Gsto muito. Mais ainda depois de ler este romance.

Escrita fluída, irónica e bem humorada, que capta a alma lusa sem que nada passe despercebido, numa linguagem rica e prolífera em que conta uma história incrível de uma mulher apagada que fica viúva de um déspota. Depois... a vida acontece.

Neste romance pinta um quadro muito realista da vida de muitas familias, na relação com os filhos adultos, no papel da esposa ou na frugal existência para todos os caprichos satisfazer aos filhos. Toca o leitor pela proximidade, em que a empatia e o repúdio pelas personagens é garantia de sucesso.

O realismo mágico surge nos sonhos da protagonista que refleten os seus medos.

A capa é fantástica e está a par com a história, que é uma lição para todos. Divertida, li com gosto A Vida Sonhada das Boas Esposas.

Autor: Possidónio Cachapa
Páginas: 200
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 97898965559097
Edição: 2018/ Novembro

Sinopse:
O novo romance de Possidónio Cachapa é um olhar contemporâneo sobre o papel da mulher, a expressão da sua sexualidade e a visão que a família e a sociedade mantêm sobre ela à medida que o tempo passa.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Materna Doçura

A minha opinião:
Guardei este livro para um dia ler. Quando vi que ia ser reeditado (para mim, com uma capa mais apelativa), fui buscá-lo, iniciei a leitura e de imediato fiquei agarrada. Um fim de semana chega para o ler.

Não me dei ao cuidado de ler a sinopse e nada sabia da trama. Sacha está na prisão, entretanto a trama recua no tempo e conhecemos o Professor, que tem um papel a desempenhar na vida de Sacha. Duas personagens maravilhosas que tinham que se encontrar. Ambos perderam o seu amor maternal, e encontraram um afecto filial, sem laços consaguíneos. A casualidade é valorizada no enredo, não muito credível, que não achei lamechas, apenas sentimental.

Escrita fluída e ritmada, linguagem brejeira, naquele nosso jeitinho sarcástico de dizer coisas sérias a brincar. O amor maternal é disso que se trata. 

Materna Doçura é o romance de estreia de Possidónio Cachapa. Muito bom!

Autor: Possidónio Cachapa
Edição: 2004/ abril
Páginas: 246
ISBN: 9789895550722
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
Ninguém sai ileso de um grande amor. Ou da falta dele. Esta é uma história de fronteiras. E de reencontros. Os homens têm coração de mulher. Deixam-se amar em silêncio. As mulheres têm força de homens. São elas que mais fazem avançar a acção. A materna doçura não precisa de cédula nem de parto. A grande mãe preta e o irredimível solteirão amam os filhos que não tiveram. Este romance faz-se com um infinito «M» de mãe. Numa escrita viciante e cheia de surpresas, a língua portuguesa funciona como chave de «reconhecimento» entre personagens supostamente estranhas. Ninguém diga que conhece a última geração de ficcionistas portugueses se não tiver lido e relido este livro 


sábado, 18 de abril de 2015

Viagem ao Coração dos Pássaros

Autor: Possidónio Cachapa
Edição: 2015/ janeiro
Páginas: 176
ISBN: 9789897541377
Editora: Marcador

Sinopse: 
Viagem ao Coração dos Pássaros remete-nos para um universo único mas que se repete sempre no tempo dos seres humanos. Fala-nos das contradições e dialética do mundo, do amor, da vida, mas também dos seus opostos. É um livro que se lê num sopro, como se fosse um instante, numa viagem que o leitor faz ao coração, o seu próprio, e o dos protagonistas da história, realista, autêntica e bela.

Possidónio Cachapa conduz-nos através da sua escrita profunda, revelando-nos os dons que todos temos e as nossas virtudes mas também as nossas debilidades e fraquezas, numa simplicidade narrativa que nos prende da primeira à última página.

A minha opinião: 
Muito ouvi falar sobre este autor. Bem, muito bem. O nome do autor deixa-me com um sorriso nos lábios. E a escrita deixou-me cativa, de um humor irreverente e certeiro, onde a lucidez impera nesta fantástica narrativa sobre Kika, a menina e mulher, com nome que parece de gato. 

"(...) Acontecimentos menores, passados numa freguesia pequena, onde uma mulher que carrega um Dom, viveu rodeada de seres passados e de coisas que a ultrapassavam, e a quem tinha sido dada a ingrata missão de viver com eles. Que nos interessa que um escritor tenha um dia ouvido falar disto e se tenha aproximado como um insecto nocturno dessa casa onde os raios e os gemidos trovoavam diariamente?"   (pag. 163)

Interessa e muito, porque a breve historia de Maria Joaquina Constança, conhecida por Kika, filha de Evangelina, uma mulher dura e sofrida e do sonhador e ausente Filipe, temos um retrato da verdadeira e contraditória condição humana. Um Dom de ver e ouvir o que queria e não queria saber, a capacidade de se expressar sem mover os lábios com o alcance da mente, um potencial de curar apenas com as suas mãos e temos uma mulher renegada e amada, que não sabia o que era o amor ate ao fim da sua vida.

Criativa e brilhante, e mais não escrevo, sobre esta narrativa que nos toca a alma. Leiam! Serão surpreendidos, como eu fui.