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quarta-feira, 29 de março de 2023

Dois

 

A minha opinião:

Não conheço a editora E-Primur mas adorei o livro bem dimensionado e com uma boa grafia. Conheço Irène Némirovsky que considero imperdível nas suas análises comportamentais e humanas. Curiosamente li no verso do livro como temas:guerra dos sexos, decadência, comportamentos, vida familiar, casamento, psicologia e falsas aparências. Nem mais, é isso tudo e era exatamente o que me apetecia ler. 

A história passa-se nos anos 20, no pós-guerra com Antoine Marianne, um casal em que as emoções e sentimentos decompostos numa escrita virtuosa e escorreita não deixam de fazer eco no leitor. Diferentes perspectivas numa relação que se vai transformando ao longo do tempo. 

É extraordinário como tudo o que li de Irène é muito bom. Talento ímpar de uma boa observadora que compreendia a natureza humana e não a denegria apesar de tudo o que viveu. Uma excelente contadora de histórias. Que romance inebriante.

Autor: Irène Némirovsky
Páginas: 272
Editora: E-primatur
ISBN: 9789898872746
Edição: março/2022

Sinopse:
Irène Némirovsky constrói neste romance passado em Paris, durante os loucos anos 20, uma análise implacável feita de cinismo e ternura acerca da teia de relações humanas complexas estabelecidas entre homens e mulheres, pais e filhos, irmãos e irmãs.

No rescaldo da Primeira Guerra Mundial e face ao despertar de uma liberdade festiva e vertiginosa, a escritora russa de origem judia, nascida no actual território ucraniano, confronta-nos em Dois com estados de paixão que revira de seguida para expor os seus desencantos, questionando-nos sobre o amor e o casamento, com os seus alicerces frágeis e múltiplos vínculos inquebráveis. Esta anatomia lúcida, cruel e irónica mostra-nos mulheres pouco misteriosas, mas terrivelmente lúcidas quanto ao futuro que reivindicam, e homens aparentemente fortes e encantadores, que acabam por revelar poucas camadas de interesse.

É neste contexto que Marianne, na casa dos vinte anos, filha de Didier Segré, um pintor conhecido, e de uma herdeira rica, conhece Antoine, um sedutor inconstante e egocêntrico. Esta relação feita de sentimentos desiguais e pouco recíprocos conduz a um casamento pautado por relações extraconjugais e assente na força do hábito, nas aparências, na segurança e na passagem do tempo - os elementos que tecem o vínculo conjugal que se revela tanto mais forte quanto mais é forjado na hipocrisia e no constrangimento.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Suite Francesa

 

A minha opinião: 

Um grande romance que sobreviveu à Segunda Guerra para nosso benefício. O mesmo não sucedeu com a sua extraordinária autora. Irène Nemirovsky é um nome a reter e tudo ler. A sua vida e obra bem o merecem. Não sou uma leitora de clássicos mas quiça estou a começar a ser. Alguns autores são mesmo intemporais e nada maçadores. Pelo contrário.

A Segunda Guerra Mundial em França é o tema deste romance em que acompanhamos um núcleo de personagens que, de tão bem caracterizadas não perdemos uma palavra deste romance que sentimos como vívido e próximo. A natureza humana não muda. Cobardia, vaidade e ignorância são exemplos que Irène sabia recriar na conduta de algumas personagens. E o amor. Um romance que suscita um turbilhão de emoções no leitor.

 Autor: Irène Némirovsky
Páginas: 584
Editora: Dom Quixote
ISBN: 9789722057196
Edição: 

Sinopse: 
Suite Francesa é, ao mesmo tempo, um brilhante romance sobre a guerra e um documento histórico extraordinário. Uma evocação inigualável do êxodo de Paris após a invasão alemã de 1940 e da vida sob a ocupação nazi, escrito pela ilustre romancista francesa Irène Némirovsky ao mesmo tempo que os acontecimentos se desenrolavam à sua volta.
Embora tenha concebido o livro como uma obra em cinco partes (com base na estrutura da Quinta Sinfonia de Beethoven), Irène Némirovsky só conseguiu escrever as duas primeiras partes, Tempestade em Junho e Dolce, antes de ser presa, em Julho de 1942. Morreu em Auschwitz no mês seguinte. O manuscrito foi salvo pela sua filha Denise; foi apenas décadas depois que Denise descobriu que o que tinha imaginado ser o diário da mãe era na verdade uma inestimável obra de arte, que viria a ser aclamada pelos críticos europeus como um Guerra e Paz da Segunda Guerra Mundial.
Romance assombroso, intimista, implacável, desvelando com uma lucidez extraordinária a alma de cada francês durante a Ocupação (enriquecido e completado pelas notas e pela correspondência de Irène Némirovsky), Suite Francesa ressuscita, numa escrita brilhante e intuitiva, um momento decisivo e marcante da nossa memória colectiva.

sábado, 15 de janeiro de 2022

A Presa

 

A minha opinião: 

Penso que comecei bem o ano 2022 com este livro que foi publicado originalmente em 1938 por uma escritora que faleceu aos 39 anos no campo de concentração de Auschwitz.
Irène Némirovsky é uma extraordinária escritora sobejamente conhecida mas que eu desconhecia porque não li nenhuma das suas obras. Creio que vou corrigir isso muito em breve.

Gosto muito de abrir um livro e ficar empolgada por o continuar a ler. E nem sempre é fácil, principalmente quando se terminou um grande livro, como foi o caso. Jean-Luc Daguerne sacrifica tudo por ambição. Um romance forte e repleto de nuances que o leitor não pode ignorar.

Narrativa breve e intensa mas muito tocante. Personagens marcantes mas estereótipos da sociedade com as caraterísticas humanas que Irène bem conhecia e sabia replicar com precisão no papel. Desafio a ler este livro sem ficar preso. Brilhante e intemporal. Imperdível.

Autor: Irène Némirovsky
Páginas: 192
Editora: Cavalo de Ferro
ISBN: 9789895647033
Edição: 2021/ setembro 

Sinopse: 
Jean-Luc Daguerne é um jovem ambicioso que, desprovido de tudo, sonha agarrar o mundo com as duas mãos. Mas a velha ordem que o rodeia está em colapso devido a uma crise sem precedentes: o dinheiro já não é seguro, o sucesso já não dimana apenas do trabalho. Para subir na vida, há que entrar nos meandros do poder e da política.

Ao casar-se com Édith Sarlat, filha de um importante banqueiro, Daguerne parece finalmente conquistar as tão desejadas alegrias do sucesso e da ambição. Porém, depressa se emaranha numa teia de mentiras, vinganças e traições, e o que outrora parecia um belo sonho não é mais do que uma realidade sórdida e mesquinha que de predador acabará por transformá-lo em presa.

Publicado em 1938, A Presa é um romance trágico, com ecos stendhalianos, que narra a ascensão e queda de um jovem idealista ambicioso — «um Julien Sorel numa época de crise» — traído pelas suas próprias paixões, e cuja história compõe um retrato magistral da Europa e da sua burguesia nas primeiras décadas do século, em plena crise financeira e política.

Primeira tradução em Portugal deste romance de Irène Némirovsky, cuja obra, redescoberta após décadas de esquecimento, constituiu um dos casos de maior sucesso da literatura mundial.