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quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

O Meu Ano de Repouso e de Relaxamento

 

A minha opinião:

Gostei muito de Eillen, portanto O meu ano de repouso e de relaxamento não me podia passar ao lado. Improvável que algum livro desta autora não seja lido. Amarga mas sacia. E apetece repetir.

"Passavam-se muitas coisas em Nova Iorque - como sempre - mas nada disso me afetava. Era o que o sono tinha de maravilhoso - a realidade distanciava-se e surgia na minha mente com a simplicidade de um filme ou de um sonho."

Hibernar. Incrível. E partir desta ideia para uma boa estória ainda o é mais. Uma protagonista com recursos financeiros que decide que é o que lhe convém e com a colaboração de uma terapeuta muito peculiar vive uma experiência que tem muito de rejeição. A sua percepção é uma finíssima crítica social. 

Uma protagonista, sem nome, que se pode detestar mas que à medida que a fui conhecendo fui apreciando. E tal como Eileen não se esquece. Tortuosa como parecem serem as personagens de Ottessa.

Autor: Ottessa Moshfegh
Páginas: 216
Editora: Relógio D'Água
ISBN: 9789897832871
Edição: Outubro/2022

Sinopse:
Ottessa Moshfegh, uma das mais importantes novas vozes literárias, narra neste romance os esforços de uma jovem mulher para se esquivar aos males do mundo.

Para tal, embarca numa hibernação prolongada, com a ajuda de uma das piores psiquiatras da história da literatura e com as enormes doses de medicamentos por ela prescritos.

domingo, 19 de novembro de 2017

O Meu Nome Era Eileen

Autor: Ottessa Moshfegh
Edição: 2017/ maio
Páginas: 264
ISBN: 9789896652418
Tradutor: José Remelhe
Editora: Alfaguara

Sinopse:
O Natal é uma época que tem muito pouco para oferecer a Eileen Dunlop, uma rapariga modesta e perturbada, presa a um emprego enfadonho como secretária num instituto de correção de menores e forçada a cuidar de um pai alcoólico. Eileen tempera os seus dias vazios com fantasias perversas e sonhos de fuga para uma cidade grande. Enquanto não o consegue, entretém-se a fazer pequenos furtos na loja de conveniência e a fantasiar com Randy, um guarda do reformatório com corpo de homem e cabeça de rapaz. Quando Rebecca Saint John, uma ruiva vistosa, alegre e inteligente, é contratada como a nova psicóloga do reformatório, Eileen é incapaz de resistir à sedução de uma amizade que promete transformar a sua vida. Mas, numa reviravolta digna de Hitchcock, o poder de Rebecca sobre Eileen converte a rapariga em cúmplice de um crime a que pode ser impossível escapar. Com a paisagem nevada da Nova Inglaterra como pano de fundo, a história de Eileen é arrepiante, hipnótica e divertida.
Com um primeiro romance cheio de força, que agarra e perturba o leitor até à última página, Ottessa Moshfegh faz uma entrada retumbante nas letras norte-americanas.

A minha opinião:
"O Meu Nome Era Eileen" é surpreendentemente bom. Obscuro e empolgante. Não esperava que a degradação, abandono e carência  de Eileen pudesse ser uma leitura tão viciante. A estrutura narrativa em que se permite saber quando e onde se deu a mudança, mas não como e porquê sustenta o interesse. 

Dezembro de 1964,  X-Ville (nome fictício), em Nova Inglaterra, Eileen tinha 24 anos e, conta à posteriori muitos anos depois, a história do seu desaparecimento. A narradora conta tudo o que recorda com uma crueza inaudita e intimista sobre os seus pensamentos e ações enquanto cuidava do pai, um ex-policia alcoólico e vigiava as visitas a  jovens num centro correcional, no âmbito do seu trabalho de secretariado. Estranha e miserável forma de vida. 


Emocionalmente fecunda, mordaz e intensa, recorda a sua paixão platónica por Randy como a sua razão de viver até conhecer Rebeca. A extensão e dramatismo do que conta torna o leitor testemunha dos acontecimentos e simultâneamente cumplice da sua fuga. 

Manual Para Mulheres de Limpeza” de Lucia Berlin esteve presente no meu pensamento enquanto lia a história de Eileen. A mesma profundidade e força que impressiona e assombra. Os pormenores que fazem toda a diferença. Poderosa narrativa que marca. Corajoso primeiro romance de Ottessa Moshfegh. Brilhante!