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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Os Armários Vazios

A minha opinião:
Não contava gostar tanto deste livrinho. A escrita sublime não me bastava. A narrativa breve supunha antiga ou ultrapassada. A sugestão de uma boa amiga foi portanto acolhida com ceticismo.

Dora Rosário ganhou vida nas primeiras páginas, embora como personagem não esbanjasse energia. Orgulhosa e desencantada viúva que se tinha anulado durante o casamento com um homem sem ambição que tardiamente conheceu.

A sogra Ana e a tia jùlia, duas mulheres sós e vazias. Sonhadoras. 

Manuela, a misteriosa narradora a quem queriam ser leais e sobrou nesta história.

E, por fim, Lisa, a jovem de dezassete anos, filha de Dora e neta de Ana, num lar sem figuras masculinas, que sabia muito bem o que queria. 

Romance brilhante de escrita acutilante que deixa a alma a nu. Intemporal como é a natureza do ser humano. Uma história bestial. Quase real e sem final feliz. O mundo é dos espertos. No caso, das espertas.

Autor: Maria Judite de Carvalho
Páginas: 152
Editora: Ulisseia
ISBN: 9789725686713
Edição: 2011/ Abril

Sinopse:
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

O grande romance de Maria Judite de Carvalho, obra central da literatura portuguesa da renovação de meados do século XX, volta aos temas de preferência da autora: a solidão da mulher na cidade. A vida moderna que prende as personagens de Maria Judite de Carvalho ao inferno de viverem sós no meio da multidão
.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Tanta gente, Mariana | As palavras poupadas

A minha opinião:
Gosto de contos. Histórias pequeninas que fazem eco em nós. O que mais gosto numa história é o princípio e o fim e nos contos estes estão bem mais próximos.

Os contos de Maria Judite de Carvalho não me "chamaram"até um destes dias e agora sei porquê.

Lá fora chove e senti a solidão, o desamparo e desesperança.
Tanta Gente, Mariana. Há pessoas assim, que cedo sentem que estão sós. Que ninguém fará nada por elas. E outras desejam e deixam a vida escoar sem concretizar o sonho. Acabei por rir com A Avó Cândida. Curioso título A mãe para o conto que li a seguir. Ainda refleti sobre este e outros aspectos de que tanto gostei. A ânsia por mais dinheiro mesmo para quem tem e não tem a quem o deixar, nem tempo para o gastar ou gozar. O vazio imenso de uma mulher casada com um ser assim. Condoi-me com A menina Arminda que ainda em criança perdeu a inocência e quis amar um filho que não era seu. Noite de Natal perdeu Emilia a esperança. Desencontro não tem muito que se lhe diga. É apenas isso. O passeio de domingo marcou-me mais.

As palavras poupadas é o segundo mais longo conto deste livro e o que menos gostei. E então, cansei. Cansei de tanto sofrimento psicológico e vazio emocional. Cansei de narrativas monocromáticas. Cansei porque faltava algo que me desse animo para prosseguir a leitura e no intimo sempre soube que seriam contos magistralmente bem escritos mas amargos e eu gosto de agridoce.

Autor: Maria Judite de Carvalho
Reimpressão: 2018/ maio
Páginas: 240
ISBN: 9789898866219
Editora: Minotauro

Sinopse:
A presente coleção reúne a obra completa de Maria Judite de Carvalho, considerada uma das escritoras mais marcantes da literatura portuguesa do século XX. Herdeira do existencialismo e do nouveau roman, a sua voz é intemporal, tratando com mestria e um sentido de humor único temas fundamentais, como a solidão da vida na cidade e a angústia e o desespero espelhados no seu quotidiano anónimo.

Observadora exímia, as suas personagens convivem com o ritmo fervilhante de uma vida avassalada por multidões, permanecendo reclusas em si mesmas, separadas por um monólogo da alma infinito.

Este primeiro volume inclui as duas primeiras coletâneas de contos de Maria Judite de Carvalho: Tanta Gente, Mariana (1959) e As Palavras Poupadas (1961), Prémio Camilo Castelo Branco.