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sábado, 9 de junho de 2018

Estuário

Autor: Lídia Jorge
Edição: 2018/ maio
Páginas: 288
ISBN: 9789722065139
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Estuário é um livro sobre a vulnerabilidade de um homem, de uma família, de uma sociedade e do próprio equilíbrio da Terra, relatados pelo olhar de um jovem sonhador que se interroga sobre a fragilidade da condição humana.

Edmundo Galeano andou pelo mundo, esteve numa missão humanitária e regressou à casa do pai sem parte da mão direita. Regressou com uma experiência para contar e uma recomendação a fazer por escrito, e na elaboração desse testemunho passou a ocupar por completo os seus dias.

Porém, ao encontro deste irmão mais novo da família, vêm ter sem remédio as vicissitudes diárias que desequilibram a grande casa do Largo do Corpo Santo. Edmundo vai-se, então, apercebendo que as atribulações longínquas mantêm uma relação directa com as batalhas privadas travadas ao seu lado. E a sua mão direita, desfigurada, transforma-se numa defesa da invenção literária perante a crueza da realidade.

Em outros seus livros costumam a autora dar o rosto à modernidade para dela desocultar os seus efeitos escondidos. Mas neste caso ambicio
na mais. Estuário pertence à categoria dos livros de premonição, através do enlace entre o desenho do futuro e a Literatura.

A minha opinião:
Queria ler um romance de Lídia Jorge! Tantos autores que ainda desconheço e que a pouco e pouco vou desbravando, cautelosa, na tentativa de compreender o que quiseram passar ao mundo com as suas palavras. O seu testemunho. Lídia admirada por tantos era uma ousadia e um deslumbre que não me tinha permitido. A escrita irrepreensível, madura e serena que me faltava. Contudo, tenho um misto de emoções sobre este romance, contraditórios como os que se abrigam no coração e são objecto de reflexão, também neste romance. A históra que o narrador conta, por personagem, com destaque para Edmundo, o jovem sonhador que, nuima missão humanitária perdeu parte da mão direita e se agarrou a uma utopia sobre um livro grandioso que alertava sobre a ameaça global, e do qual se foi distanciando, na medida em que se tornava mais próximo da complexidade e desnorte dos que o rodeavam e nele confiavam, não me fascinou pela morosidade contemplativa que condicionou a leitura. Presa das palavras, não fiquei do sentido das mesmas. A preocupação e premonição com os riscos ambientais, nomeadamente os plásticos que poluem os oceanos, é motivo de apreço, mas as personangens errantes não. 

Um livro belo mas não sedutor. Um livro que fica para reler mais tarde. 

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