domingo, 1 de julho de 2018

Uma Pequena Sorte

Autor: Claudia Piñeiro
Edição: 2018/ maio
Páginas: 256
ISBN: 9789722064491
Tradutores: Cristina Rodriguez e Artur Guerra
Editora: Dom Quixote

Sinopse: 

Uma mulher regressa à Argentina vinte anos depois de a ter deixado para fugir de uma tragédia. Mas aquela que regressa é outra: já não tem a mesma aparência e a sua voz é diferente. Nem tem sequer o mesmo nome. Será que aqueles que a conheceram em tempos a vão reconhecer? Será que ele a vai reconhecer?

Mary Lohan, Marilé Lauría ou María Elena Pujol - a mulher que ela é, a mulher que foi e a mulher que terá sido -, volta aos arredores de Buenos Aires, ao subúrbio onde formou uma família e viveu, e onde irá enfrentar os atores do drama que a fez fugir. Ainda não compreende porque aceitou regressar ao passado que se havia proposto esquecer para sempre. Mas à medida que o vai compreendendo, entre encontros esperados e revelações inesperadas, perceberá também que às vezes a vida não é nem destino nem acaso: talvez o seu regresso mais não seja do que um pequeno golpe de sorte… uma pequena sorte.

Claudia Piñeiro surpreende e cativa com este romance incisivo e comovente, onde a realidade e a intimidade se cruzam numa densa teia urdida para prender o leitor.

A minha opinião: 
Uma escrita cuidada, elegante, numa narrativa analítica, introspectiva e comovente, de uma mulher, docente, que regressa anonimamente a onde fugiu vinte anos depois. Uma tragédia que se percepciona desde o início, quando o mesmo capítulo se repete amiúde sobre uma passagem de nível. 

Não sei bem o que me atraiu neste romance. A capa, ou talvez o título. Sei que a sinopse não foi. Uma mãe que abandona o filho é algo que não realizo querer ler. E no entanto, ficava a perder, porque este romance diz muito sobre a natureza humana, as circunstâncias e os acasos que transformam e moldam destinos. Superficialmente, julgamos sentimentos, percepções e pensamentos na descodificação do outro, sem alcançar a dimensão do equívoco. 

Intenso, acutilante, sentido e pragmático, não se lê de animo leve, mas também não se consegue parar de ler. Uma pequena sorte é um extraordinário romance que marca. Uma mulher danificada e a sua pequena sorte, assim como a do seu filho, Federico, que contaram com a amabilidade de estranhos, porque não basta estar rodeado de gente para não se sentir só. Com um livro como este não se está só e também isso nos ensina o generoso Robert, como parte do processo de cura de Maria Elena.  

Um romance pequeno que é imenso sobre o porquê que não se consegue cogitar. Brilhante. 

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