quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Pátria

Autor: Fernando Aramburu
Edição: 2018/ março
Páginas: 720
ISBN: 9789722064019
Tradutores: Cristina Rodriguez e Artur Guerra
Editora: Dom Quixote

Sinopse: 

O retábulo definitivo sobre mais de 30 anos da vida no País Basco sob o terrorismo.

No dia em que a ETA anuncia o abandono das armas, Bittori dirige-se ao cemitério para, na sepultura do marido, Txato, assassinado pelos terroristas, lhe contar que decidira voltar à casa onde tinham vivido os dois. Mas poderá ela conviver com aqueles que a perseguiram antes e depois do atentado que transtornou a sua vida e a da família? Poderá saber quem foi o encapuzado que num dia chuvoso matou o marido, quando este regressava da sua empresa de transportes?

Por mais que chegue às escondidas, a presença de Bittori alterará a falsa tranquilidade da terra, sobretudo a da vizinha Miren, amiga íntima noutros tempos, e mãe de Joxe Mari, um terrorista encarcerado e suspeito dos piores receios de Bittori. O que aconteceu entre essas duas mulheres? O que envenenou a vida dos filhos e dos respetivos maridos, tão unidos no passado? Com lágrimas escondidas e convicções inabaláveis, com feridas e coragem, a história arrebatadora das suas vidas, antes e depois da tormenta que foi a morte de Txato, fala-nos da impossibilidade de esquecer e da necessidade de perdoar numa comunidade fragmentada pelo fanatismo político.

A minha opinião: 
Tal como sugerido, possivelmente o melhor livro que vou conseguir ler este ano. Imenso, 700 paginas, em que a intensidade narrativa em qualquer dos 125 pequenos capítulos, com cada uma das personagens das duas famílias protagonistas deste romance, quebre e o leitor perca o interesse ou se aborreça. Um romance que monopoliza o leitor e o insere na trama, recuando subtilmente ao passado enquanto desfolha as páginas, completamente enredado na vida domestica destes bascos. Impossível ficar indiferente, apesar do autor se coibir de emitir juízos de valor, apenas as perspectivas e motivações de cada um, porque... "Numa pequena povoação é muito difícil manter se à margem do movimento abertzale." (285)

A chuva, uma constante nos momentos mais dramáticos desta narrativa. A capa alude a isso. A trama gira em torno das sequelas da execução de um empresário de nome Txato no período mais conturbado ou violento do independentismo.

Um romance contemporâneo, num estilo sóbrio e realista, escrita simples e concisa, em que nada é descurado, desde a complexidade humana, social, politica... e até mesmo o papel da igreja.

Não foi à toa que o guardei para ler nas férias, quando a disponibilidade e pujança estão no auge. Não é leve mas importa ler.

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