sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Se Nos Encontrarmos de Novo

Autor: Ana Teresa Pereira
Edição: 2004/ novembro
Páginas: 164
ISBN: 9789727088157
Editora: Relógio D'Água

Excerto: 
«Rose começou a aparecer nas suas aulas e a princípio não a reconheceu; aos dezanove anos usava o cabelo curto e os seus olhos eram definitivamente azuis, tinha um encanto muito especial. Byrne apercebia-se do brilho nos olhos dela quando o procurava depois das aulas, do entusiasmo com que trabalhava para ele, parecia não ter qualquer interesse pelas outras cadeiras. E uma noite encontrou-a à sua espera, sentada nos degraus da sua casa, os braços à volta dos joelhos, o cabelo caindo-lhe sobre os olhos; tinha voltado aos tempos da promiscuidade mas aquela rapariguinha não lhe interessava nada, sem querer foi demasiado brusco, quase cruel. Deixou de vê-la nas aulas e meses depois soube que não estava em Oxford, arranjara um emprego em Londres. A história não o preocupara muito, não era responsável pelas pessoas que se apaixonavam por ele.»

«Rose começou a aparecer nas suas aulas e a princípio não a reconheceu; aos dezanove anos usava o cabelo curto e os seus olhos eram definitivamente azuis, tinha um encanto muito especial. Byrne apercebia-se do brilho nos olhos dela quando o procurava depois das aulas, do entusiasmo com que trabalhava para ele, parecia não ter qualquer interesse pelas outras cadeiras. E uma noite encontrou-a à sua espera, sentada nos degraus da sua casa, os braços à volta dos joelhos, o cabelo caindo-lhe sobre os olhos; tinha voltado aos tempos da promiscuidade mas aquela rapariguinha não lhe interessava nada, sem querer foi demasiado brusco, quase cruel. Deixou de vê-la nas aulas e meses depois soube que não estava em Oxford, arranjara um emprego em Londres. A história não o preocupara muito, não era responsável pelas pessoas que se apaixonavam por ele.»

A minha opinião: 
Não conhecia esta autora, o que não me parece estranho dada a minha desconfiança anterior com autores portugueses. Uma amiga "apresentou-nos" e fico-lhe grata por isso. Gosto de descobrir beleza nas suas mais diversas formas. Este romance singelo tem tanto de belo como de insinuante e tortuoso. Não e´ um romance luminoso e nesse aspecto não e´ o meu género de leitura. Fujo frequentemente para lugares mais aprazíveis nos meus momentos de leitura, mas contrabalanço sempre que possível com outras passagens que me tragam uma noção de equilíbrio.  

Um romance de pensamentos, emoções e sentimentos a duas vozes. Bryne e Ashey duas talentosas almas perdidas, que depois de muito procurar se encontram. Com uma rara sensibilidade artística procuraram em muitos corpos o seu aconchego e um lar. Ashey tem impulsos destrutivos muito fortes, e e´ raro acabar uma tela, abandona-as e começa de novo, e cada quadro pode ser o ultimo. Tom foi o seu amor. Bryne voltara para casa ao fim de muitos anos mas não sabia para que, ate´ começar a estar obcecado por uma mulher que mal conhecia, um vulto sentado nos degraus do pavilhão, caminhando na neve, passando por ele nas escadas.

"Podemos chamar alguém com tanta força, mesmo sem o sabermos, que essa pessoa vem do outro lado do mundo ao nosso encontro. E a nossa vida e´ feita desses encontros."                (pag. 139)

"Aquela casa sempre lhe parecera quase magica nesse sentido, na parte de trás passava-se para outro mundo, onde quase não se ouviam os sons da rua ou da cidade, só os sinos das igrejas ao domingo. E quando a solidão se tornava muito forte era só ir a uma janela da frente ou sair para a rua, e estava-se em Londres."                                                                                           (pag.90)

Desse encontro naquela casa vivem-se momentos mágicos de felicidade rara e de comunhão com a beleza e a arte.  Viveram e  amaram `a sua maneira.

"(...) o pão fresco, a fruta, o vinho, a neve, o sol, os parques de Londres, as primeiras flores da primavera, os quadros nos museus, Ticiano e Andrea del Sarto, Turner e Monet, Mondrian e Rothko, os meus quadros, o cheiro da tinta, os pássaros e os peixes, os cães, os meus cães, os animais, as folhas, as pedras, o anoitecer, o nevoeiro de Londres, o meu rio, os outros rios que conheci, os homens com quem fiz amor, os meus pais que quase não recordo, a minha filha, as viagens de comboio através da neve, um velho mosteiro na Rússia onde havia um fresco de Rublev, o mar. as minhas casas, os romances de Henry James, os poemas de Rupert Brooke, as aventuras de William, as poças de agua, os lilases, as cerejeiras, os filmes a preto e branco, Robert Mitchum e Katherine Hepburn, Charles Boyer e Ingrid Bergman, a ilha. 
E Tom. E Byrne. Os seus homens de olhos azuis, sotaque irlandês e cinquenta e dois anos." (pag.153)
  

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