sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A Seca

Autor: Jane Harper
Edição: 2017/ julho
Páginas: 352
ISBN: 9789892339443
Editora: Asa

Sinopse:
No calor sufocante do deserto, uma pequena vila é abalada por um crime inexplicável. Luke Hadler, filho da terra e amado por todos, matou brutalmente a mulher e o filho, tendo-se suicidado em seguida. Dos alegres retratos de família apenas sobreviveu a pequena Charlotte, de 13 meses.
Ninguém parece duvidar da explicação oficial para o crime exceto os pais de Luke, que tentam convencer o amigo de infância do filho, Aaron Falk, a manter a mente aberta a outras possibilidades.

Aaron está relutante. Após anos de ausência, o regresso à terra natal está a revelar-se duro mas as memórias da infância partilhada com Luke falam mais alto. Embora dividido, ele aprofunda a investigação e, pouco a pouco, começa também a duvidar da acusação que paira sobre a honra do amigo. Mas há algo ainda mais assustador: estas mortes ameaçam desenterrar o velho segredo que ditou o fim da inocência de Aaron e Luke tantos anos antes. Sob um sol escaldante, a claustrofóbica vila assolada pela seca pulsa de tensão. Se Luke é inocente, estará o culpado pela morte da sua família a viver entre eles? Todos se conhecem e ninguém seria capaz de semelhante atrocidade. Certo?

Uma atmosfera intensa e vibrante que esconde um mistério surpreendente. O romance de estreia de Jane Harper é absolutamente imperdível.


A minha opinião:
NÃO É UMA SECA! Talvez seja o melhor policial que me lembro ter lido. E não é uma frase de promoção.

Adoro quando a história é tão absorvente, mas tão absorvente, que nos poucos momentos livres que tenho me esqueço de tudo para mergulhar na leitura e acompanhar o desenrolar dos acontecimentos que, nesta narrativa nem antecipo.

Atmosférico é uma palavra que se aplica. A seca. A desolação e a dureza pura e dura da terra que se estende a perder de vista, em que a chuva é uma benção que não se dá há dois anos. Uma cidade pequena, boatos grandes. Um crime hediondo que parece estar relacionado com um mistério antigo. Uma trama tão equilibrada e bem contada que se torna exemplar, principalmente se se considerar que é uma estreia. Mal posso aguardar pelos próximos livros desta autora.

O início agarrou-me de imediato. O primeiro parágrafo bastou. O meu receio era de que a história fosse tenebrosa, mas não, é eficaz e consistente, e como tal, intensa e apaixonante. A investigação segue todos os passos que Falk, um policial, filho da terra escorraçado por estar ligado ao mistério do passado, deveria seguir oficiosamente. A cidade é uma personagem que Falk procura compreender. As memórias interligam os factos. E novos dados se revelam paulatinamente. Muito bom. Um livro para partilhar e perservar. 

"Não era a primeira vez que a quinta via morte, e as moscas-varejeiras não faziam distinção. Para elas, havia pouca diferença entre a carcaça de um animal e o cadáver de uma pessoa."

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