quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O Ministério da Felicidade Suprema

Autor: Arundhati Roy
Edição: 2017/ junho
Páginas: 464
ISBN: 9789892339146
Editora: Asa

Sinopse:
Num cemitério da cidade, Anjum desenrola um tapete persa puído entre duas campas. Num passeio de betão surge um bebé, como que do nada, num leito de lixo. Num vale coberto de neve, um pai escreve à filha de cinco anos, falando-lhe do número de pessoas que estiveram presentes no seu funeral.

Num apartamento, sob o olhar atento de uma pequena coruja, uma mulher solitária alimenta uma osga até à morte. E, na Jannat Guest House, duas pessoas dormem abraçadas como se tivessem acabado de se conhecer.

Uma viagem íntima pelo subcontinente indiano, desde os bairros superlotados da Velha Deli e os centros comerciais reluzentes da nova metrópole às montanhas e os vales de Caxemira, com um elenco glorioso de personagens inesquecíveis, apanhadas pela maré da História, todas elas em busca de um porto seguro. Contada num sussurro, num grito, com lágrimas e gargalhadas, é uma história de amor e ao mesmo tempo uma provocação. Os seus heróis, presentes e defuntos, humanos e animais, são almas que o mundo quebrou e que o amor curou. E, por este motivo, nunca se renderão.

 
A minha opinião:
Não li "O Deus das Pequenas Coisas". Ainda assim, estava entusiasmada em ler o novo romance e mudar para uma leitura com um diferente apelo dos sentidos. Contudo, a prosa colorida, crua e inquietante não me agarrou inicialmente. Talvez, porque não soubesse de todo o que me esperava. Um encadear de histórias, com tanto de mirabolante ou mistico, violento ou realista que não se esquece facilmente, sendo esse o propósito oculto - intemporalidade. Alguns dos episódios ultrapassam a ficção. Anjum é a heroína transgénero, a personagem principal que atravessa todas as histórias e com o seu nascimento começa a narrativa. Outras personagens marcam e destacam-se por capítulos.  

A India. Os vales de Caxemira. As suas mil e uma facetas. As novas familias de coração, diferenciadas e alargadas. A guerra como modo de vida. A história num ciclo de perda e renovação, perturbação e normalidade. Tanto para apreender. O mundo é um lugar estranho.

"Como sempre, a história seria tanto uma revelação do futuro como era um estudo do passado" (pag. 421) 

Avassalador, recorre a requintadas metáforas e terminologia própria para nos transmitir em sussurro ou gritos a alma de um povo. Um romance de emoções fortes e sentimentos à flor da pele. Esperança e dor entretecidas de forma apertada e inextricável.  

"Como contar uma história destroçada? Tornando-me lentamente todos. Não. Tornando-me lentamente tudo." (pag.456)  

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