quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O último dia de um amor Eterno

Autor: Francisco Goldman
Edição: 2012, Novembro
Páginas: 360
ISBN: 9789898461339
Editora: Matéria-Prima
 
Sinopse:
Francisco Goldman era um homem sem sorte no amor e avesso a compromissos: a escrita bastava-lhe para viver. Até conhecer Aura Estrada, uma belíssima mulher e brilhante estudante de literatura.
A paixão de Aura pela vida e pela literatura preencheram o vazio existente na vida de Francisco. Casaram no Verão de 2005, no México.
O arrebatamento com que ambos encaravam a vida e o gosto pelo inesperado faziam prever uma longa vida juntos. Mas, em 2007, a dois meses de completarem dois anos de casados, Aura morre de forma trágica.

Sentindo-se responsável pela morte da mulher e profundamente ferido pela sua perda, Francisco entra numa espiral autodestrutiva. Porém, depois de ter chegado a equacionar pôr fim à sua própria vida, percebeu que o mais importante seria honrar e perpetuar a memória de Aura.
O último dia de um amor eterno é a homenagem prestada à mulher amada, à brilhante estudante e escritora, a uma vida cheia de amor e partilha.
Entre a ficção e a realidade, Goldman recupera tudo o que o uniu a Aura, revisitando-a, descobrindo-a, mesmo depois da sua morte, num relato por vezes duro, por vezes triste, mas também divertido.
O último dia de um amor eterno é, acima de tudo, um tributo e uma expiação da dor que surge quando se perde a amor de uma vida.
 
A minha opinião:
Muito dificil de ler e não vale a pena dissimular que talvez o obstáculo ou a falha seja minha porque não consigo avaliar ou julgar tão significativa perda.
De qualquer modo, apesar de a sinopse ser suficientemente objetiva para se perceber do que se tratava, há variadissimas formas de vivenciar um luto e uma tão grande perda. Este é um relato sentido e sofrido, em que a diversão é quase ausente (e não conforme a sinopse referenciava).
 
Uma escrita coerente, baseada em reminiscências e memórias, assim como nos diários que Aura deixou (ou não fosse ela uma mulher de letras), permitiram ao autor compor um quadro, mais ou menos próximo, de uma mulher dinâmica e entusiástica que muito admirou e amou, bem como reviver um curto período feliz da sua vida, abruptamente interrompido, quando numa praia do México, Aura foi enrolada numa onda e fragmentou a coluna. Todas estas emoções condensadas nesta narrativa "mexem" com o leitor e tornam a leitura um tanto exigente e perturbadora.

Relevante nesta narrativa é a relação de Aura com a mãe. Superprotetora e interventiva, a mãe, desempenhava um forte papel na vida da filha, do mesmo modo que Aura se sentia responsável pela mãe. Acentuadas diferenças culturais nesta relação maternal, se fizermos um paralelo com as relações que reconhecemos.

Importante testemunho de um grande amor que, deste modo, o autor exalta.
 
"Um acidente tão bizarro que aconteceu apenas a uma pessoa, Aura, e a mais nenhum dos incontáveis nadadores que fazem bodysurf em Mazunte há anos, dia após dia. Aura foi muito desafortunada. Morreu porque eu estava a ser eu mesmo, um adolescente eterno... Morreu porque, a irromper de amor, decidi juntar-me a ela dentro de água. Mas tudo isto também é uma fuga à VERDADE, contra a qual a minha narrativa diligentemente construída desaba como uma onda enorme de nada."
(pag.338)

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