terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

No Calor dos Trópicos

Quem resiste a ler este romance histórico?

 

Sinopse:
"No luxuriante cenário do Brasil imperial, um cônsul português desafia as convenções e o destino."

A queda abrupta de produção de café no nordeste brasileiro estava a arrastar os fazendeiros para a derrocada financeira. Na tentativa de solucionar o problema da falta de remessas, o rei D. Luís convida o Dr. Bragança dando ao seu cortesão a oportunidade de ouro de escapar a uma eventual pena de prisão por crime de adultério. Mas como se o destino reservasse uma armadilha ao novo diplomata, a amante viaja para Petrópolis na companhia do marido continuando ali a sua relação escaldante com o cônsul. Alertado para a traição contínua de sua esposa, D. João frutuoso, o magnata mais poderoso do Reino, banqueiro da casa real e da Coroa Brasileira, prepara uma emboscada ao diplomata, não só para o afastar dos braços de Leonor, mas também para poder exercer livremente o seu poder sobre os negros da roça e a sua vocação esclavagista. Um golpe inesperado dita a sorte dos amantes envolvidos nas malhas do destino.

Sobre o Autor:
Flávio Capuleto, pseudónimo literário de Flávio Luís de Jesus Costa, nasceu no concelho de Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro, a 29 de Novembro de 1942. A sua paixão pelos livros manifestou-se cedo, levando-o a publicar diversos romances, edições de autor, que vendeu directamente ao público.
No Calor dos Trópicos é o seu primeiro romance histórico.

(Um romance que já é um sucesso e que anseio ler).


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Esmeralda Cor-de-Rosa

Autor: Carlos Reys
Edição: 2011
Páginas: 182
ISBN: 9789896366018
Editora: Papiro
 
Sinopse:
Quem tem ideais na vida terá, certamente, um ou mais mentores que como faróis, lhe indicarão rumos certos de rota e escolhos a evitar. Raramente o mentor será um modelo de conduta tão abrangente que se ajuste a todas as facetas da vida. Assim podemos ter mentores no campo da vida familiar, da vocação profissional, da vida artística, da vida amorosa e até na vida religiosa.

O autor, Carlos Reys, adaptou um mentor ficcional, Guilherme Esteves, que o terá inspirado para a vida e que ele escolheu como personagem condutor de uma saga de pessoas que preenchem o tempo que vai do após a Primeira Guerra Mundial até aos nossos dias e cujas existências vão colorir uma cidade portuguesa, banhada por um rio que é fonte de sustento e de evasão de um Portugal oprimido até à libertação do 25 de Abril de 1974.Não sendo um livro histórico o retrato das personagens que o habitam é pelas suas características uma referência da sociedade média de Portugal do século XX.

A minha opinião:
Retrato fiel, vivo e colorido, como se de uma pintura se tratasse, de um tempo recente que a memória colectiva ainda perserva. Crónica social de usos e costumes.

Inspirado em grandes escritores como Rudyard Kipling (e não só) com a tradução de Félix Bermudes que transcreve:
"Se podes conservar o teu bom senso e a calma/ No mundo a delirar para quem o louco és tu.../ Se podes crer em ti com toda a força de alma/ Quando ninguém te crê ... se vais faminto e nú,/ Trilhando sem revolta um rumo solitário .../ Se à torva intolerância, à negra incompreensão,/ Tu podes responder subindo o teu calvário/ Com lágrimas de amor e bençãos de perdão (...) ;
o autor que foi certamente, sempre, um atento observador e critíco do ambiente que o envolvia, dedica-se a colorir uma pequena comunidade - Flor do Nogueira e os seus habitantes ao longo de um período histórico deste pequeno país.

Apesar do título do livro, a personagem que mais se destaca é a de Guilherme Esteves, elo condutor de toda a narrativa e uma personagem peculiar e admirável, que seria certamente um homem à frente do seu tempo, marcado pelo sua forte individualidade e livre arbítrio, apesar da repressão.

Este livro toca-nos porque retrata com uma linguagem cuidada e acessível, o que reconhecemos como sendo muito nosso. Creio que este romance tem um público-alvo seniór, ou pelo menos mais vivido, em que as memórias tem o seu papel no prazer de ler.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Até que o amor nos separe

Autor: José Gameiro
Edição: 2011
Páginas: 196
ISBN: 9789898461179
Editora: Matéria Prima

Sinopse:
O que ela pensa, o que ele nunca diz, as feridas dos dois e aquilo que os une.

Tomando como ponto de partida as crónicas semanais do Expresso e peças várias de diversos casos que atendeu no seu divã, José Gameiro construiu estas duas personagens, Manuel - o piloto de aviões - e Maria - a bancária -, que se debatem com os grandes dilemas e os pequenos conflitos da vida conjugal. Embora sejam um casal exemplar, têm de enfrentar as suas crises. Quando surge uma sensual italiana, como vão eles equilibrar o seu amor? Como poderão ultrapassar os ciúmes, a traição, a saudade, a inveja?
Através dos anos de experiência do psiquiatra, esta ficção torna-se também modelar para muitos dos problemas que qualquer marido e mulher poderão encontrar.

A minha opinião:
Diários fictícios do Manel e da Maria inspirados em mulheres e homens comuns que espelham a realidade das relações conjugais no que elas tem de intensidade, imprevisibilidade, flutuações, intimidade e até de imutável. Inclui ainda reflexões do autor sobre o casal em questão e uma experiência de terapia.
A riqueza emocial diferente entre sexos que reagem a situções diversas, algumas que causam sofrimento e perplexidade, assim como o relacionamento com os filhos e com os pais num amâgo complexo em que a individualidade de cada um também interage.

Não consegui ficar indiferente a este livro pela autenticidade e transparência destas personagens que reconheço, descritas com simplicidade e consistência numa linguagem corrente e fluída. De tão acessível, lê-se de um só folêgo. O complicado torna-se simples.

"As mulheres têm mais jeito para a conjugalidade e são mais exigentes, enquanto os homens são mais simples quanto aos indicadores positivos da relação - se houver sexo, está tudo bem; se não houver está tudo mal..." (sorri com esta observação e não resisti a transcrevê-la) .
Um prazer de ler.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Nunca se perde uma paixão

Autor: Eduardo Sá
Edição: 2011, Outubro
Páginas: 280
ISBN: 9789722046411
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Histórias e ensaios sobre o amor. Um livro que nos faz descobrir que «a segunda prioridade de toda a vida é conquistar um grande amor. A primeira, nunca o perder.» «Todo o amor é tímido. E excêntrico, talvez. Não se previne nem se explica. Por tudo isso, não sei se deva escrever sobre o amor. (...) Este livro apanhou-me desprevenido. E talvez só isso tenha feito, tomado por hesitações, aventurar-me nele. Porque é assim - suponho eu - que, em todos nós, se vive qualquer amor: de forma singular e com a descontracção que só se tem diante dos gestos com qualquer coisa de banal.
Por isso mesmo, não há como escrever sobre o amor. Será mais ele que nos escreve a nós.»

A minha opinião:
Estou sem palavras perante a eloquência do autor, que não sendo anónimo (algumas vezes já nos entrou pela casa dentro - não tanto a minha, porque foram raras as vezes que coincidimos horários),  apela a uma lucidez (quem é que consegue ser lúcido a escrever sobre paixão e amor entre outros assuntos) e humor para me deixar a sorrir ou a "matutar . Sentir o autor como um amigo próximo é algo de muito estranho que não me recordo de ter sentido antes, enquanto lia não sei se um diário, um livro de ficção ou um ensaio. Em suma, um livro sobre os pára-raios.
Não sei se será pretensioso escrever um comentário sobre um livro de alguém que tão bem transmite ideias, emoções e sentimentos para o papel. Sábio e simples. "Todos nós nos desencontramos para o amor. (Menos os psicanalistas...)".

Vejo-me na iminência de ter que reler todo o livro para melhor compreender, absorver e consolidar do muito que este livro me deu. Não pela novidade mas pela maturidade.
Para melhor o compreenderem vou tentar acrescentrar alguns extractos que vou reler.

"Muitas vezes - mesmo, muitas vezes - eu acho que as pessoas confundem ânsia com angústia. Ânsia é uma espécie de "tenho pressa de viver"; angústia tem uma aragem de um qualquer "tarde de mais". Gosto das pessoas que transbordam ânsia, reconheço.  Amam a vida, sobre todas as coisas"
(Eu também!)                                                                pag. 12

"Acho eu, agora, que ou temos memória ou temos saudade. A memória é um estado de espírito amigo do futuro. A saudade um "oh tempo, volta para trás", vizinho dos remorsos, sem a aragem, guerreira, com que só a memória nos consegue aconchegar. Na verdade, talvez não haja memória sem esperança.E vice-versa. Ou melhor: memória é esperança. E nada mais.
Viver é, realmente uma questão de tempo.  Mas só o namoro o torna eterno."
                           pags. 29 e 30

"O silêncio é o melhor amigo da angústia. ... São sentimentos que foram atropelados pela falta de palavras e ficaram na tal despensa dos pensamentos por pensar. Mas como dos ressentimentos há um único degrau a separá-los, amealhamos pequenas iras que jogamos, a pretexto dum motivo ridículo...anos depois. E, quando é assim, divorciamo-nos, em suaves prestações. Nunca nos divorciamos sózinhos, como vê. Mas divorciamo-nos por falta de namoro e de colo. E - sempre! por mútuo consentimento.
                              pags. 34 e 35

"... o pó dos dias, descuidos e desamparos..." (adorei!!!)
                      pag.  35

"Uma paixão torna-nos mais inteligentes e mais patetas. Mais inteligentes, porque sempre que pensamos de dentro para fora par fora de nós (e a dois, ao mesmo tempo) pensamos melhor. Depois... com o que o amor nos habilita, torna-nos mais claros, mais audazes e muito mais clarividentes. Finalmente, porque o amor nos serena por dentro. Mas torna-nos, também mais patetas: porque ficamos mais transparentes quando amamos. E todos os nossos pequenos disfarces se desmoronam, dando lugar a um lado mais espontâneo e mais autêntico de nós, mais aberto ao brincar e aos gestos de ternura, por mais que eles pareçam mais ou menos desajeitados e impulsivos, até." 
                        pag. 151

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dolce di Love


Autor: Sarah-Kate Lunch
Edição: 2012
Páginas: 280  
ISBN: 9789722347846
Editora: Editorial Presença
Coleção: Champanhe e Morangos 

Sinopse:
Estrela do mundo dos negócios em Manhattan, Lily Turner descobre que Daniel, o seu marido "perfeito", tem outra família ali escondida, nas colinas da Toscania. Depois de lá chegar, o seu drama atrai a atenção da Liga Secreta das Viúvas Cerzideiras, uma espécie de exército invisível que se reúne para criar finais felizes Este complexo enredo cheio de humor desenrola-se na atmosfera estival e sumptuosa da paisagem toscana aromatizada pelos deliciosos cantucci, os Dolci di Love, confecionados segundo uma antiga receita que faz deles uma celebração à vida e à alegria de viver.
                          
A minha opinião:
Este ano tem sido auspicioso em termo de leituras.

Uma comédia romântica mágica que electriza o leitor com personagens que tanto tem de autênticas com conflitos sentimentais complexos, como em oposição surge a Liga Secreta das Víúvas Remendeiras, que com a vivacidade e alegria do povo italino caricaturizam a acção com hilariantes peripécias. Um mimo!!!
Este livro tem duas vertentes fantásticas. A seriedade e alguma profundidade dos sentimentos e emoções descritos que se inícia com a história do sapato de golfe em Manhattan que envolve Lily e o ausente Daniel, assim como a Rose (a irmã de Lily) e a divertidissíma e arrebatadora viagem dos copos de Lily à Toscana que desperta o interesse de um grupo de velhinhas empenhadas em remendar corações partidos e que tudo, e é mesmo tudo, fazem para o conseguir.

Fiquei rendida à escrita e capacidade criativa de Sarah-Kate Lynch que consegue uma trama viva e enérgica com personagens tão geniais como as velhinhas, que numa pequena comunidade tudo sabiam e tudo conseguiam movimentar e os solitários e confusos personagens Lily, Daniel, Franscesca, Rose, que me enterneceram e encantaram. Inclusive as simpáticas personagens secundárias - Ingrid, Eugenia, Carlotta e Alessandro me agradaram.

Um perfeito livro para o dia dos namorados que quando se começa a ler é quase impossivel parar. 

"Estende o teu coração como uma capa por cima de uma poça de água" ... "Se a amas, se a queres ter de volta, dá-lhe aquilo de que ela precisa"

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Livro do Despertar

Autor: Mark Nepo
Edição: 2011, Novembro
Páginas: 448       
ISBN: 9789896681210
Editora: Nascente

Sinopse:
O Livro do Despertar é um tesouro de pérolas de sabedoria e conselhos práticos para o dia-a-dia que o ajudará a ter a vida que deseja, apreciando a vida que tem.
Escrito a partir da experiência do autor, Mark Nepo, na sua vitória contra um cancro, vai ensinar-lhe a conhecer e usar o seu coração, tornando-o mais completo.  Este é o livro que você terá sempre na sua mesa-de-cabeceira para folhear ao adormecer, ou ler nos primeiros momentos da manhã, quando lhe faltar motivação.

Com ele recordará, em pequenas doses diárias, tudo aquilo que interessa na vida, e encontrará a harmonia e a paz interiores.

A minha opinião:
"Sempre fui um leitor. Os mundos que tantas vozes sinceras me abriaram ao longo dos tempos salvaram-me, repetidas vezes, da confusão e da solidão... Seja a descansar numa cama de hospital, depois de a dor acalmar, ou a acordar nos braços da minha amada enquanto ela me faz festas na cabeça, ou a adormecer com as palavras de alguém que já partiu há muito abertas no meu colo, a nudez da verdade e da compreensão é a mesma. Leva-me de volta a um simples, até mesmo raro, momento no qual pensar, sentir, saber e ser são todos a mesma coisa. É este momento vital - tão difícil de encontrar e tão ilusório de manter - o meu mestre silencioso".
                                                                                               Pags. 317/318

Simplesmente maravilhoso.
Este é um daqueles raros livros escritos com alma e coração.

Por qualquer motivo que eu continuo sem descortinuar, desconsideramos livros que refiram espiritualidade, moralidade, ética e neste caso poesia, porque parece que nos deixam com um rótulo de tóto e são  algo de que nos devemos envergonhar de ler. É uma pena porque nos podem proporcionar momentos preciosos de reflexão e lazer.

O que a sinopse revela não poderia ser mais exacto. Um livro para se ter na mesa de cabeceira e retomar sempre que nos agrade. Para ler pausadamente, e não avidamente, com um sorriso nos lábios. Pequenos contos e algumas vivências do autor que com palavras sábias e sensatas nos inspira e anima.

Muitos frases poderia extrair deste livro e certamente que ao longo dos tempos assim o farei porque há sempre algo mais a acrescentar sobre uma ideia, uma sensação ou um sentimento.

Um prazer de ler!

AS HORAS DISTANTES

Novidade imperdível para mim (16 de Fevereiro)

Sinopse:
Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino...

Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.

Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre.

No interior do decadente castelo, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada...

Impressa:
«Um cativante thriller romântico... que irá deslumbrar os leitores.»
Publisher's Weekly, EUA, Starred Review

«Um castelo em ruínas, gémeas aristocráticas, uma irmã perturbada e uma série de sombrios segredos lançam um sussurrante feitiço neste novo livro de Kate Morton.»
Marie Claire, RU

«Uma leitura viciante cheia de mistério e suspense.»
ASOS magazine

«Neste terceiro romance, Morton escreve no seu habitual estilo envolvente, conduzindo-nos até ao interior da família Blythe e levandonos a viver intensamente cada peripécia.»
Waterstones Books Quarterly

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Que bom que é receber um Selinho

A Carla M. Soares do Blog Monster Blues  e    
a Landslide do Blog Tantos Livros tão Pouco Tempo
 presentearam-me com um selinho que muito lhes agradeço.

Assim, de acordo com as regras (que agora aprendi) vou oferecê-lo a outros cinco blogs com menos de 200 seguidores que costumo visitar (ainda não completei a minha lista de blogs). 

As regras que fui importar de quem entende do assunto, são as seguintes:

1. Link de volta com o blogueiro que lhe deu;
2. Cole o selinho em seu blog;
3. Escolha 5 blogs para repassá-lo, que tenham menos de 200 seguidores;
4. Deixar comentário avisando que estão recebendo o selinho;

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Por Trás da Resolução dos Problemas

Por trás da maioria das dores de cabeça
estão dores do coração.

Muitas vezes é-nos fácil racionalizar as questões do que simplesmente senti-las: que actividade podemos fazer para acabar com um momento de desânimo? O que podemos comprar, retirar ou arranjar que reduza ou resolva a zanga ou a tristeza de alguém que amamos?
Em retrospectiva, percebo que gastei demasiadas horas a resolver racionalmente problemas emocionais que apenas precisava de sentir. Agora percebo que as minhas insistentes tentativas de perceber o que tinha corrido mal, embora úteis de alguma maneira, eram geralmente uma fuga a sentir a tristeza e a desilusão necessárias para poder curar-me e seguir em frente.
Não deixa de ser uma reacção muito humana. Ninguém quer sentir dor, especialmente quando não se consegue sequer apontar para uma contusão ou uma ferida específicas. O mesmo se passa com o coração. Nada há para mostrar nem para tratar mas, no entanto, tudo está afectado.
A verdade é que para analisar, tirar licções e aprender ocupa-nos o pensamento e pode mesmo evitar que nos magoemos da mesma maneira outra vez, mas nada substítui o arejar da ferida, o que, no caso do coração, significa dizer-mos sentidamente, mas sem raiva nem pena de nós próprios: "Ai!"

# 3 sugestões práticas...




(Este é um extracto do dia 5 de Fevereiro - O Livro do Despertar- Um Diário para a alma, um guia para a vida que deseja, que a Oprah afirmou "Este livro é a inspiração para todos os seus dias e o presente ideal para si e para os seus amigos". Faço minhas as suas palavras porque este livro é uma verdadeira preciosidade que deve repousar na minha mesa de cabeceireira para reflectir e sentir um dia de cada vez.)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Em nome do filho

Autor: Luísa Castel-Branco
Edição: 2011, Outubro
Páginas: 300
ISBN: 9789898452818
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
Ema, uma menina de Lisboa, é a filha mais nova de uma família burguesa, que, no período da Revolução, se vê obrigada a mudar-se para uma propriedade no campo. Conhecendo todos os segredos da terra, Ema tem o dom de comunicar com a vida e os outros de forma misteriosa e especial. Com o fim da idade da inocência, a sua felicidade, no entanto, só é plenamente conseguida depois de satisfazer o seu desejo de maternidade.
Felismina, uma rapariga pobre, anormalmente recatada para a época, cresce nos arredores de Lisboa. Educada por uma mãe cruel e manipuladora, consegue libertar-se das amarras da sua vida de miséria. Sai de casa, muda de identidade, passa a chamar-se Mi Sores, e o seu aspeto, outrora macilento e triste, passa a ser sofisticado e luminoso.
O destino destas duas mulheres cruza-se inesperadamente quando o bebé de Ema é raptado. O pesadelo vivido pela mãe desencadeia uma teia de mistérios e revelações surpreendentes.

A minha opinião:
O primeiro livro desta autora que leio e foi bem apreciado. Frequentemente quando apanhava algum dos pequenos jornais diários, aproveitava para ler alguma crónica que era publicada e para além de partilhar do ponto de vista apresentado, apreciava a objectividade e linguagem.

Com este romance que espelha uma realidade familiar e uma forma de estar muito nossa em que todos participam, intervem e se ajudam em bons e maus momentos, bem como o lado generoso e abnegado de outros que solidarizam com as vitimas de maus tratos e injustiças, percebemos nesta ficção do quão complexo é o ser humano. As muitas camadas de emoções ou sentimentos que cobrem o intimo de pessoas sofisticadas, elegantes e realizadas ou de pessoas fortes, humildes e bem formadas.

Apesar dos saltos temporais que inicialmente me pertubaram a leitura até os compreender e antecipar, gostei muito da escrita e do enredo desta estória que envolvia duas personagens femininas da mesma faixa etária e da mesma zona urbana. Ema, muito amada, realizada e feliz depois de conseguir ser mãe  e Felismina (Mina), solitária e independente que se reinventou para sobreviver a uma vida amargurada e dolorosa.
Duas personagens mais idosas - a mãe da Ema Maria da Conceição e Emilia, a testemunha, são admiráveis e a ancora de Ema. Opostamente, Esperança, a mãe de Felismina concentra em si tudo de mau e determinou a  personalidade de Felismina e os acontecimentos desta trama.

Mais um romance da literatura portuguesa que me surpreendeu pela positiva e que me convence que é bom ler autores portugueses.

Amigos para sempre...