domingo, 29 de dezembro de 2013

OS MELHORES DE 2013

Inevitável cliché de fazer o balanço dos melhores livros lidos em 2013.

(sem qualquer ordem específica ou destaque) 










sábado, 28 de dezembro de 2013

O Anjo Caído

Autor: Daniel Silva
Edição: 2013, outubro
Páginas: 400
ISBN: 9789722527125
Editora: Bertrand Editora

Sinopse:
Depois de ter sobrevivido por um triz à sua mais recente missão, Gabriel Allon, o herói dos serviços secretos israelitas, refugiou-se por detrás dos muros do Vaticano, onde se encontra a restaurar uma das obras-primas de Caravaggio. Mas certa manhã, bem cedo, é chamado à Basílica de São Pedro por monsenhor Luigi Donati, o influente secretário privado de Sua Santidade o Papa Paulo VII. Foi encontrado o cadáver de uma bela mulher debaixo da magnífica abóbada de Miguel Ângelo.

A polícia do Vaticano suspeita de suicídio, mas Gabriel não concorda. E, segundo parece, o mesmo se passa com Donati, que receia que uma investigação pública possa vir provocar no seio da Igreja e, por isso, chama Gabriel para que ele descubra discretamente a verdade. Com uma advertência: «Regra número um no Vaticano», diz Donati. «Não faça demasiadas perguntas.»
Gabriel descobre que a mulher morta desvendara um segredo perigoso, que ameaça uma organização criminosa que anda a pilhar tesouros da Antiguidade e a vendê-los a quem oferecer mais dinheiro. Mas não se trata apenas de ganância. Um agente misterioso planeia uma sabotagem que irá mergulhar o mundo num conflito de proporções apocalípticas…

A minha opinião:
Uma intricada trama à medida de Gabriel Allon, célebre restaurador de quadros dos Velhos Mestres, espião e assassíno israelita reformado e salvador do Santo Padre. 

Provei e gostei. Li anteriormente um livro de Daniel Silva e fiquei envolvida na trama vertiginosa onde se sucedem acontecimentos e peripécias várias a um bom ritmo que impedem o leitor de interromper a leitura. Sempre sucede algo que provoca uma reviravolta no momento certo em que como leitor pode estar a perder o interesse. Novos intervenientes com outros contornos, personagens boas e más, assentes em valores morais ou políticos, mas com carisma sufíciente para não se pretender parar de ler. 
O autor é claramente um defensor da causa israelita e uma pessoa extremamente bem informada que, traz alguns dos seus conhecimentos, fruto de uma interessada pesquisa para as suas obras de ficção. 
Tenho por hábito ler as Notas de Autor. Neste não foi exceção e tal como o autor fico chocada por ainda haver quem negue o Holoausto e os seis milhões de judeus mortos. A paz no Médio Oriente é um sonho que gostariamos concretizado mas parece distante enquanto persistir a disputa pela Terra prometida que divide Palestinianos e Israelitas.

Gabriel Allon é uma personagem admirável pela sua integridade, mas também pela sua coragem e liderança. Sofrido mas inabalável nas suas convições. Vive discretamente em Itália com a sua Chiara que lhe dá uma nova oportunidade de amar, ocupando-se a restaurar quadros famosos ao serviço do Vaticano, quando se dá a morte de Claudia Andreatti (o anjo caído) que a pedido do amigo Luigi Donati vai investigar. Esta fazia um sigiloso trabalho que pode comprometer a Igreja. Assim começa e desenrolando-se tanto acontece. Ganância e obscurantismo.  

Uma boa leitura.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O Último Livro

Autor: Zoran Zivkovic
Edição: 2011, março
Páginas: 248
ISBN: 9789896231446
Editora: Cavalo de Ferro

Sinopse:
Algo de terrível está a acontecer na Livraria Papyrus! O senhor Todorovic, um dos mais fiéis clientes, morreu inesperadamente, enquanto, sentado numa das poltronas da livraria, folheava tranquilamente um livro. Causa da morte: desconhecida. Vera Gavrilovic, uma das proprietárias, está preocupada. Até porque este é apenas o início: a esta primeira morte sucede outra, e depois outra, e outra ainda. Todas elas sem motivo aparente. Este estranho caso parece talhado à medida do bibliófilo Inspector Dejan Lukic. Dejan, com a ajuda de Vera, dará início a uma desconcertante investigação, que se adensará cada vez mais, ao ponto de envolver a polícia secreta. Isto até se depararem com o último livro... 

Enquanto o mistério não é desvendado num final surpreendente, página após página, Zivkovic convida o leitor a reflectir sobre temas apaixonantes: qual a relação entre o autor e as suas personagens? Entre sonho e literatura? O que acontece quando se abre um livro? Um romance brilhante, imaginativo, subtil e fascinante que está a conquistar os leitores de todo o mundo.

A minha opinião:
Há livros que somos influenciadas a ler por opiniões alheias bem intencionadas, que nos suscitam um tal fascínio que mal podemos esperar para começar a lê-lo. Este foi um desses casos de atração imediata e avassaladora, que se manteve desde as primeiras páginas num leitura rápida e compulsiva. Um livro que se lê num dia. 

Não é um livro memorável mas é certamente propício a um tempo de evasão e introspeção, equilibrado com alguma diversão e mistério. Escrito com uma simplicidade envolvente, uma narrativa bem desenvolvida e ritmada em que não faltam mortes inexplicáveis numa livraria idílica para bibliógrafos como eu, e um inspector licenciado em literatura com estranhas sensações que carateriza como "dejá vu" possivelmente afectado pelo chá de figo e pela companhia da Vera. (Claro que tinha tudo para me atrair!)

Falta o Último Livro. Um livro fatal! E um desfecho inesperado. 

Recomendado. Um prazer de ler.

BOAS FESTAS


VOTOS
DE BOAS FESTAS
ATRASADOS 
MAS
SEMPRE 
DESEJANDO O MELHOR 
PARA QUEM ME QUER BEM 
COMIGO
PARTILHA O GOSTO POR LER.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Para onde vão os guarda-chuvas

Autor: Afonso Cruz
Edição: 2013, outubro
Páginas: 624
ISBN: 9789896721978
Editora: Alfaguara (uma chancela Objectiva)

Sinopse:
O pano de fundo deste romance é um Oriente efabulado, baseado no que pensamos que foi o seu passado e acreditamos ser o seu presente, com tudo o que esse Oriente tem de mágico, de diferente e de perverso. Conta a história de um homem que ambiciona ser invisível, de uma criança que gostaria de voar como um avião, de uma mulher que quer casar com um homem de olhos azuis, de um poeta profundamente mudo, de um general russo que é uma espécie de galo de luta, de uma mulher cujos cabelos fogem de uma gaiola, de um indiano apaixonado e de um rapaz que tem o universo inteiro dentro da boca.

Um magnífico romance que abre com uma história ilustrada para crianças que já não acreditam no Pai Natal e se desdobra numa sublime tapeçaria de vidas, tecida com os fios e as cores das coisas que encontramos, perdemos e esperamos reencontrar.

A minha opinião:
Ouvi e li tantos e tão rasgados elogios a Afonso Cruz, que não resisti a conhecer este seu último romance. Senti-me excluída de um clube de admiradores e apreciadores, que bem o conhecem, em que eu nada sabia.

Desasossego e pasmo foram os estados de espírito que me acompanharam durante toda a leitura deste romance efabulado sobre um Oriente imaginário e que transcende o passado e o presente. 

Tanto para refletir e assimilar sobre a natureza, nomeadamente a natureza humana. O bem e o mal, de mãos dadas na complexidade da vida. O padrão de um tapete comparado à trama da vida em que se entrelaçam os fios de várias cores qual personagens de uma narrativa, para um efeito espantoso feito por um hábil tecelão. 
Religião e tolerância. Talvez seja este o tom de fundo em que tudo se confunde e mesmo assim continua a fazer sentido. Elahi é a personagem central que sofre perdas terríveis e resiste, enquanto se interroga sobre o "equilibrio/ absurdamente/ moralmente/ esteticamente desiquilibrado" do mundo.

Histórias que podem não ser felizes ou redentoras como esperamos ler, apesar dos valores subjacentes e sublimados numa linguagem poética (ou quase- não sei avaliar) e bem ritmada , de tolerância, compreensão e afetos. Talvez o propósito seja agitar consciências e certamente que o faz muito bem. 

Simplicidade e despojamento que torna Afonso Cruz brilhante na sua criatividade e originalidade. Digno de se conhecer e valorizar numa experiência literária completamente diferente e  fora dos meus padrões.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Quinta-feira no parque

Autor: Hilary Boyd
Edição: 2013, agosto
Páginas: 308
ISBN: 9789899788039
Editora: Noites Brancas


Sinopse:
Jeanie foi uma esposa terna durante mais de 30 anos, uma mãe dedicada e, mais recentemente, uma avó alegre. Mas Jeanie tem um segredo: o marido, George, há muito que não dorme na sua cama. Estará apaixonado por outra mulher? O que terá ela feito de errado? Por mais perguntas que coloque, Jeanie permanece sem respostas.

Neste turbilhão emocional, Jeanie anseia pelas quintas-feiras, o dia mais luminoso da semana. Às quintas, ela leva a sua neta a brincar no parque. E é aí que encontra Ray, também ele a tomar conta do neto. Ray revela-se um homem amável, bonito e bom conversador - exatamente o contrário de George. De repente, Jeanie sente-se de novo atraente e viva, e apaixona-se por Ray. Mas terá ela a coragem para, contra tudo e contra todos, virar a sua vida do avesso e dar uma nova oportunidade ao amor?
Quinta-feira no Parque é um romance terno e autêntico sobre os múltiplos laços que unem um casal e a redescoberta de emoções arrebatadoras quando menos se espera.

A minha opinião:
Grata surpresa porque a sinopse não lhe faz justiça e a capa também não, mas é um romance maravilhoso com que me deleitei, arrebatada por uma estória simples mas tão plausível e consistente como as personagens que o compõem. Se não fosse um pequeno dístico na capa a amarelo com "Bestseller internacional...", nada nos preparava para um conteúdo tão enriquecedor dada a proximidade que estabelece com a leitora sobre os seus próprios sentimentos. Essa é a fórmula mágica deste romance - empatia.

Sem rodeios ou distrações, encaramos de frente uma relação inesperada de uma mulher comum, numa fase mais madura da sua vida, com um casamento de longa duração, por um homem vivído e bem resolvido que lhe corresponde mas sem exigências, pressões ou expetativas elevadas. Algo que consideramos irreal, improvável ou censurável mas que pode ter contornos tão naturais e reais. Uma segunda oportunidade de ser feliz. 

Um romance que nos dá que pensar.  O que esperamos, pensamos e até avaliamos ou julgamos dos que nos rodeiam e com quem temos fortes afetos?  O amor numa fase mais tardia da vida, porque não? 

Lindo e enternecedor. Dúvidas, contradições, hesitações, alegrias e tristezas num relato pungente e sentido, como eu tanto aprecio. 

Um prazer imensurável de ler! A repetir um dia mais tarde. 

Malavita

Autor: Tonino Benacquista
Edição: 2013, novembro
Páginas: 272
ISBN: 9789896761028
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Uma família instala-se em Cholong-sur-Avre, na Normandia. Fred, o pai, diz ser escritor e preparar um livro sobre o Dia D. Maggie, a mãe, é voluntária numa associação de caridade e excelente na preparação de barbecues. Belle, a filha, faz honra ao seu nome. Warren, o filho, soube tornar-se indispensável para todos os colegas. E há a cadela, Malavita…

Uma família aparentemente como as outras, em suma. Mas uma coisa é certa: se eles forem viver para o vosso bairro, fujam sem olhar para trás… Um extraordinário romance de sátira, ação e suspense, agora adaptado ao cinema por Luc Besson.
A minha opinião:
Malavita é sem surpresa uma divertida narrativa sobre uma familia americana sui generis, recolocada ao abrigo do programa de proteção de testemunhas em França, na Normandia. O patriarca da familia, um ex-mafioso, inventa o papel de escritor perante a comunidade que o acolheu  e assume-o  com as suas memórias e temos assim um vislumbre do seu passado de terror e domínio, que agora os persegue sem tréguas.
Malavita. Um dos muitos nomes que os sicilianos deram à Máfia. A malavita, a má vida.(...) um nome mais melodioso do que "Máfia", "onorevole societá", "polvo" ou a "cosa nostra". Malavita é também o nome da cadela de Fred, uma personagem quase ausente. Tal como a Máfia, quase ausente não significa algo que se deve subestimar. Umaa força discreta e oculta.
Os vícios e costumes desta familia de resilentes e resistentes americanos acompanha-os para onde quer que vão e as peripécias sucedem-se para desespero dos que o vigiam. Em analogia, os diferentes modos de vida dos europeus e americanos. 
Uma leitura despretensiosa mas bem disposta que proporciona bons momentos de entretenimento com uma estória bem encadeada, e em que na capa do livro surge a referida familia ... de atores bem conhecidos e que projetamos para as carismáticas personagens.
Uma deliciosa estória!