sábado, 28 de março de 2015

Xerazade - A Última Noite

Autor: Manuela Gonzaga
Edição: 2015/ março
Páginas: 200
ISBN: 9789722530125
Editora: Bertrand Editora

Sinopse: 
Xerazade - A Última Noite leva-nos aos meandros de uma fascinante tapeçaria narrativa, onde podemos encontrar referências díspares, quer de mitos clássicos ou pré-clássicos, quer ainda de histórias de encantar, juntamente com «memórias» soltas como «um colar de pérolas» desatadas, que a narradora, Xerazade, tenta reconstruir para confortar o amante que, inconformado, se recusa a deixá-la ir embora.

A minha opinião: 
A curiosidade impulsiona-me para leituras que antes rejeitava sem hesitar. Leituras mais exigentes e elaboradas em que as palavras são encadeadas com rigor e critério para uma leitura dos sentidos e das emoções. 

Contos de encantar que bem conheço, mitos, lendas, historias da antiguidade clássica, numa narrativa colorida de uma mente delirante que as renova como se contadas por tradição oral a um amante que receia perder, como Xerazade na sua ultima noite. Tanto para refletir quando se lê sobre o Amor ao longo do Tempo.  

Não e´ uma leitura fácil e demorei a entrar no espírito da personagem em monólogo constante. Breves apontamentos onde a personagem masculina intervém para sugerir moderação ou contenção a uma Xerazade que imparável avalia tanto do que ao Amor diz respeito. 

Leitura que atrai e afasta na exata proporção da compreensão e empatia com uma Xerazade que não nos deixa indiferente. Enigmática e apaixonada pela Vida que nem sempre a tratou bem. 

Requintada obra que se preza para uma leitura pausada e absorta. 

"Espera por mim como um livro excelso porém esquecido, porque os grandes livros sabem esperar. Podem fazê-lo, alias. O tempo não tem sobre eles qualquer poder. Os outros, ai!, podem quase todos os outros , estão sujeitos `as mesmas leis da vida que talham o nosso humano destino. Envelhecem e acabam por morrer amortalhados em paginas murchas onde palavras dissonantes servem ideias gastas e enredos pobres.
Espera por mim como um livro. Como O Livro, que um dia, rasgado o véu epifanico, reencontramos e devoramos, compulsivamente, e voltamos a devorar como amantes adiados que finalmente se unem pelo fio encantatório das palavras. No tempo certo."    
                                                                                                               (pag. 89)

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