sábado, 8 de outubro de 2016

Numa Casca de Noz

Autor: Ian McEwan
Edição: 2016/ setembro
Páginas: 184
ISBN: 978-989-616-735-6
Editora: Gradiva

Sinopse: 
Trudy, em adiantado estado de gravidez, planeia envenenar John, o marido e pai da criança que vai nascer, de conluio com Claude, seu amante e cunhado. Sem o saberem, têm uma improvável testemunha da trama: o bebé, residente no ventre de Trudy.

Um toque de surpresa, trazido pela voz que narra o mundo. E, com isso, apresenta uma perspectiva inigualável. A perícia das palavras, num enredo que guarda a vida e que contém a morte. Uma história de crime e engano, de traição e amor. Estes são ingredientes que, à luz da literatura e pela pena de um grande mestre da escrita, se reúnem para dar corpo a um texto irresistível.

A minha opinião: 
Não, não sabia quem era Ian McEwan. Nunca lera nada dele. Não só por isso, mas também, fiquei sugestionada por este livro que é um mimo. Atraente, fácil de transportar e manusear dadas as dimensões, com uma grafia adequada, e uma sinopse que refere uma conspiração para um crime, o que o tornou irresistível.

Claramente inspirado em “Hamlet”, de Shakespeare, cuja personagem é a potencial vitima inocente e ingénua - o pai poeta do narrador omnipresente que é o feto, que ouve e intui as maquinações congeminadas entre a bela mãe muito grávida que ainda assim bebe demais e o estrupicio do tio invejoso que usou o sexo como forma de seduzir a mãe.  A relação entre as personagens e os sentimentos envolvidos tornaram este romance menos estranho.  O autor foi capaz de transformar esta história irreal consistente e um interessante exercício de escrita que conduz à reflexão com a breve análise que faz do mundo que aguarda o narrador.

Discurso direto e cru do narrador surpreende mas não choca. Leitura incomoda por sentimentos de culpa e remorso misturados com indiferença e lascívia na desordem e suja casa decadente onde tudo se passa.

Em suma, uma história fora do habitual

"Estar encerrado numa casca de noz, ver o mundo em cinco centímetros de marfim, num grão de areia. Porque não, quanto toda a literatura, toda a arte, todo o esforço humano, não passam de um pequeno ponto, no universo das coisas possíveis?   (pág. 63)

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