quarta-feira, 7 de junho de 2017

As Oito Montanhas

Autor: Paolo Cognetti
Edição: 2017/ abril
Páginas: 224
ISBN: 9789722062220
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Pietro é um rapazinho da cidade, solitário e pouco sociável. Os seus pais estão ligados pela paixão da montanha que os uniu desde sempre, mesmo na tragédia, e o horizonte linear de Milão enche-os agora de saudade e nostalgia.

Quando descobrem a aldeia de Grana, no sopé do Monte Rosa, sentem ter encontrado o lugar certo: Pietro passará ali todos os verões onde, à sua espera, está Bruno. São da mesma idade mas, em vez de estar de férias escolares, ocupa-se a pastar vacas.

Têm assim início verões de explorações e descobertas, entre as casas abandonadas, o moinho e os carreiros mais íngremes. São também os anos em que Pietro descobre que a montanha é um saber, um verdadeiro e adequado modo de respirar. E descobre também que o pai lhe deixa o legado mais verdadeiro: «Ali estava a minha herança: uma parede de rocha, neve, um montão de pedras em quadrado, um pinheiro.» Uma herança que passados muitos anos o reaproximará de Bruno.

As Oito Montanhas é um livro magnético e adulto, que explora ligações acidentadas mas graníticas, a possibilidade de aprender e a procura do nosso lugar no mundo. Maravilhoso, literário, intenso e lírico, invade-nos com o ar puro e a luz da natureza e com as cores e os cheiros das estações.

A minha opinião:
Há livros que nos deixam sem palavras, ou pelo menos, sem encontrar as palavras certas. É assim que me sinto agora. Não sei como transmitir o muito que me fez sentir. Sei que é um livro extraordináriamente tocante na sua simplicidade e despojamento. Maduro e lírico. A plentitude na montanha que liga dois jovens numa amizade que dura uma vida inteira. 

(...) não resta mais do que vaguer pelas oito montanhas...  (pag. 222)

O autor assume que esta história lhe pertence como as suas memórias e que se trata de dois amigos e uma montanha, mas para mim é muito mais do que isso. A infância, a adolescência e a maturidade. O reencontro. A auto-descoberta. Tudo isto dividido em três partes: Montanha da Infância, A Casa da Reconciliação e Inverno de um Amigo. 

Escrita límpida e fluída para uma história mais contemplativa. A comunicação faz-se no silêncio da montanha dos Alpes. Um livro que não se esquece. 


"O passado é a jusante, o futuro a montante.(...) Seja o que for o destino, habita nas montanhas que temos acima da cabeça."     (pag.34)

"O verão apaga as recordações tal como derrete a neve, mas os glaciares são a neve dos invernos longínquos, é uma recordação de inverno que não pode ser esquecida. Só então compreendi de que que falava. E sabia de uma vez por todas ter tido dois pais: o primeiro era o estranho com quem vivera durante vinte anos, na cidade, e cortara relações durante outros dez; o segundo era o pai da montanha, aquele que apenas entrevira e no entanto conhecera melhor, o homem que caminhava atrás de mim pelos carreiros, o amante dos glaciares."    (pag. 136)

Sem comentários:

Enviar um comentário