terça-feira, 18 de setembro de 2018

A Carne

Autor: Rosa Montero
Edição: 2017/ dezembro
Páginas: 192
ISBN: 978-972-0-03013-9
Tradutor: Helena Pitta
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Numa noite, Soledad contrata um gigolô para que a acompanhe a um espetáculo de ópera, um ardil, na verdade, que não é mais do que uma tentativa de provocação a um ex-amante.

No entanto, um violento e imprevisível incidente alterará por completo o curso daquela noite e marcará o início, entre ambos, de uma relação vulcânica, inquietante, e talvez perigosa. Ela tem sessenta anos; o gigolô, trinta e dois. Começa o jogo…

A narração desta aventura irá mesclar-se com as histórias dos escritores malditos da exposição que Soledad se encontra a preparar para a Biblioteca Nacional - e ser maldito é «desejarmos ser como os outros mas não conseguirmos, querer que nos amem mas só causarmos medo, talvez riso, não suportarmos a vida e, sobretudo, não nos suportarmos a nós próprios».
Como a própria Soledad, talvez?

Devorar ou ser devorado: A Carne é um romance audaz e surpreendente, o mais livre e pessoal de todos os que Rosa Montero já escreveu, que nos fala do passar dos anos, do medo da morte, da necessidade de amar e da gloriosa tirania do sexo. Tudo através da voz de uma eterna sedutora, apanhada de surpresa pelo seu próprio envelhecimento.

A minha opinião:
Demorei a conseguir ler este romance. A sinopse pareceu-me promissora mas a oportunidade  não surgiu antes e apenas nesta atribulada fase em que os afazeres e inquietações são muitos foi possível concretizar este desejo. Com este romance, a escritora/jornalista entrou definitivamente na minha lista do autores que não dispenso de ler. 

A necessidade de amor, o abismo do desamor, a raiva e glória da paixão, contemplados na exposíção sobre Escritores Malditos que a curadora de arte se preparava para apresentar ao mundo e que intercala em pequenos curiosos excertos na narrativa vibrante e mordaz do seu relacionamento com Adam, o gigolo, também eles malditos.

Soledad sente a inexpugnável passagem do tempo e o apelo da carne de uma forma que não pode deixar de exteriorizar com humor e mágoa. A parafernália de truques e produtos para retardar o envelhecimento e combater as maleitas que por medo ou debilidade se ganham muito me divertiu. Soledad é uma mulher como tantas outras e certamente este romance tem um pouco de autobiográfico, no que concerne à pressão social, o isolamento e a solidão de certas mulheres, nomeadamente mulheres de carreira. Adam, o gigolo não é o tipo de personagem que eu esperava encontrar. Surpreende e desarma mas não cativa. O apelo e a empatia/ antipatia com este livro depende exclusivamente de Soledad.

Rosa Montero aparece como personagem secundária (com algum relevo) na trama de Soledad Alegre, que bem se poderia chamar Crónica do Desamor.

Tr
epidante, e lúcido, numa escrita desarmante e envolvente é profundamente sentido, pelo menos para mim. Recomendo sem reservas.

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