terça-feira, 4 de setembro de 2018

Trânsito

Autor: Rachel Cusk
Edição: 2018/ julho
Páginas: 232
ISBN: 9789897224454
Tradutor: Ana Matoso
Editora: Quetzal 

Sinopse:
No rescaldo do colapso da família, uma escritora e os seus dois filhos mudam-se para Londres. Essa perturbação vai ser o catalisador de uma série de transições - pessoais, morais, artísticas e práticas -, à medida que ela, Faye, se esforça por construir uma nova realidade para si e para os filhos. Na cidade, é confrontada com aspetos da realidade que sempre tentara evitar - aspetos de vulnerabilidade e poder, de morte e renovação. Esta é a luta para se religar a si própria e à sua crença na vida.

Neste segundo livro de um preciso, curto e ainda assim épico ciclo, Cusk capta com inquietante contenção e honestidade o desejo de habitar uma vida e ao mesmo tempo abandoná-la, e a tortuosa ambivalência que anima a nossa necessidade do real.

A minha opinião:
Mais uma estreia. Não comecei pelo primeiro - A Contraluz, mas antes pelo segundo desta triologia, atraida pela sinopse e pelo título. 

Quando algo não foi concluido ou está a  decorrer, em tom de brincadeira digo que está em Trânsito. Por isso, este título faz todo o sentido tratando-se de uma mudança de vida após um divórcio em que a personagem/ narradora saí do campo para a cidade de Londres, decide comprar uma casa má num lugar bom e descobre o mal nos vizinhos. A premissa começa com um email de uma astróloga que alega saber da sua situação e pode ajudá-la a tirar proveito.

A análise das circunstâncias banais do quotidiano e de si mesma como se contemplada à distância, sem grandes rasgos emocionais, é fascinante e dei por mim absorta num romance que não tem muita ação, nem enquadramento ou previsiel desfecho. Decorre e pronto. Simples assim mas muito eficaz. E bem escrito. Elegante introspeção que nos leva à reflexão. Gosto disso. Recordou-me alguns romances que li de Julian Barnes. 

Fiquei com muita vontade de ler o romance que se segue e espero que não demore muito porque Faye ficou na minha cabeça. Uma mulher só. Retrato atual e acutilante. Uma vida sem história. Narrativa forte e pertubadora em que "observamos" gestos e maneirismos, competitividade, ansiedade, raiva e alegrias, sobretudo em necessidades tanto fisicas como emocionais. Padrões de comportamento.

Muito bom mas não para todos ou em qualquer momento. Um livro que requer disponibilidade.

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