sábado, 22 de junho de 2013

Uma casa de familia

Autor: Natasha Solomons
Edição: 2013, 

Páginas: 416
ISBN: 9789892321561
Editora: ASA

Sinopse:
Na primavera de 1938, a ameaça nazi paira sobre a Europa. Em Viena, a família Landau vê desaparecer muitos dos seus amigos e teme pela sua segurança. Decidem fugir do país mas não poderão partir juntos. Elise, a filha mais nova, é enviada para Inglaterra, onde a espera um emprego como criada de uma família aristocrática. É a única forma de garantir a sua segurança. Para trás deixa uma vida privilegiada. Em Tyneford, ela tenta encontrar o seu lugar na rígida hierarquia da casa. É agora uma das criadas, mas nunca antes trabalhou. Tem a educação e os hábitos da classe alta, mas não pertence à aristocracia. Enquanto areia as pratas e prepara as lareiras, usa as magníficas pérolas da mãe por baixo do uniforme. Sabe que deve limitar-se a servir, mas não consegue evitar o escândalo ao dançar com Kit, o filho do dono da casa. Juntos vão desafiar as convenções da severa aristocracia inglesa numa história de amor que tocará todos os que os rodeiam. Em Tyneford, ela vai aprender que é possível ser mais do que uma pessoa. Viver mais do que uma vida. Amar mais do que uma vez.

A minha opinião:
"Esta noite sonhei com a casa de Tyneford. Quando me deitar para dormir, verei a casa como era neste primeiro verão. As roseiras à volta da porta das traseiras. O cavalo no estábulo. Os dentes a mastigar e a mastigar. O cheiro a magnólia e sal. E depois acordarei dentro do meu sonho. Sou novamente Elise. Alice descansa e todos estão vivos. As minhas mãos são brancas e macias, sem as marcas da idade. Estou de pé no relvado e oiço o chamamento do mar, o som dos barcos de pesca na baía. Um homem-rapaz inglês. (...)
Sinto o gosto de água salgada na língua. Água salgada - lágrimas e uma viagem." (pag. 412)

Este é um aprazível romance baseado num numa aldeia fantasma na costa de Dorset. Um lugar remoto e secreto. Um lugar especial, com uma casa de família no campo, que se manteve inalterável durante anos e anos. Uma paisagem típica dos anos quarenta que a autora reproduz com alguma fidelidade e onde Elise Landau vai refugiar-se antes do rebentamento da 2ª Guerra Mundial como criada, trocando a sua vida privilegiada de filha de burgueses intelectuais judeus por uma existência árdua em que as saudades de Anna (a mãe) e Julian (o pai) e Margot (a irmã mais velha recém casada, refugiada nos EUA) a desesperavam.

Sereno e terno, com muitas descrições de um lugar perdido no tempo, este é um romance para se ler pausadamente, como que embaladas ao sabor das ondas. As consequências da guerra afectam este pequeno pedaço do paraíso. Mas as memórias de momentos felizes sempre podem acarinhar-nos para sempre.

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