quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

TransAtlântico

Autor: Colum McCann
Edição: 2013, novembro
Páginas: 296
ISBN: 9789722636308
Editora: Civilização
Sinopse:
1919. Emily Ehrlich vê dois aviadores, Alcock e Brown, erguerem-se do massacre da Primeira Guerra Mundial para pilotar o primeiro voo transatlântico sem paragens, desde a Terra Nova até ao Oeste da Irlanda. Entre as cartas levadas no avião, está uma que só será aberta quase cem anos mais tarde.

1998. O Senador George Mitchell atravessa repetidamente o oceano em busca da promessa de paz na Irlanda. Quantas mães e avós enlutadas terá ele ainda de conhecer até que seja alcançado um acordo?
 
1845. Frederick Douglass, um escravo negro americano, desembarca na Irlanda para promover ideias de democracia e liberdade, e depara-se com uma onda de fome. Nas suas viagens, inspira uma jovem criada a ir para Nova Iorque ao encontro de um mundo livre, mas nem sempre o país cumpre a sua promessa. Dos violentos campos de batalha da guerra civil aos lagos gelados do Missouri, é a sua filha mais nova, Emily, quem acaba por encontrar o caminho de regresso à Irlanda.

Podemos passar do mundo novo para o velho mundo? Como é que o passado molda o futuro? TransAtlântico, de Colum McCann, autor premiado com o National Book Award, é um feito de coragem literária. Complexo, poético e profundamente emotivo, entrelaça histórias pessoais de modo a explorar a ténue linha que separa a realidade da ficção e o emaranhado de ligações que compõem as nossas vidas.
 
A minha opinião:
Não sei muito bem como definir este romance, algures entre a ficção e realidade. Fui atraída não pela sinopse mas pelas critícas favoráveis. Deparei-me com uma narrativa imaginativa numa escrita lírica e muito precisa. Um caso sério, de uma complexidade extenuante e de alguma dificuldade de compreensão para o leitor.

Os dados não são fáceis de assimilar ao longo do desenvolvimento da narrativa que se dá em três períodos distintos da História. Apenas na segunda parte começamos a percepcionar mais sobre este romance. Muito sofrimento para uma sucessão de mulheres da mesma família que subsistem em situações difíceis e com tremendas perdas afetivas. A fome e a guerra são terrivelmente emotivas neste romance que, de tão bem escrito, dispensa o recurso a imagens, tal a força das palavras. O autor é um perfecionista, porque caracteriza os cenários, as personagens e todo o enredo como se preenchesse um quadro com cores, pincelada por pincelada, com muito detalhe e cuidado. Entrelaça várias tonalidades que se esbatem e sobrepõem, nas ligações entre as várias personagens, de distanciados tempos e lugares, entre os EUA e a Irlanda do Norte.

Tudo isto para dizer que se trata de um romance difícil e exigente, nada indicado para um leitor menos experimentado. Mas um bom romance, certamente, para quem gosta de uma leitura forte e cuidada.

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