terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Guerra e Terebintina

Autor: Stefan Hertmans
Tradução: Arie Pos
Edição: 2019/ janeiro
Páginas: 328
ISBN: 9789722066341
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Urbain Martien - um soldado flamengo que sobreviveu à Primeira Guerra Mundial - deixou ao neto dois cadernos contando a sua vida desde criança. Depois de muito tempo sem conseguir abri-los, o escritor Stefan Hertmans decidiu prestar-lhe homenagem reescrevendo essas memórias. E, à medida que lia as palavras do avô, encontrou a chave de muitos quartos que até então tinham permanecido fechados.

Da infância miserável nas igrejas a ver o pai pintar às trincheiras geladas da Flandres onde combateu; do casamento com a irmã da rapariga que amava à luta entre o que desejava ser e o que foi obrigado a tornar-se, Guerra e Terebintina é um livro com reminiscências de Sebald que cruza a biografia, o romance e a história e nos oferece o retrato de um herói anónimo pintado com a beleza de um fresco renascentista.

A minha opinião:
Este livro é uma bela e simultaneamente tenebrosa viagem no tempo. Bem acompanhada. 

Urbain Martien nasceu em 1891 e faleceu em 1981. Como se sua vida não tivesse sido mais do que a troca de dois algarismos num número. O mundo em que cresceu foi mudando, em parte com cheiros que entretanto desapareceram. Talento e miséria honrada. O pai, pintor de igrejas, capaz de coisas miraculosas, não era elogiado porque isso significava o fim da sua dedicação mal remunerada. E ele descobriu essa paixão.

Relutei em ler este livro. Ouvi falar muito bem e o título convenceu-me, a sinopse não. Por fim, deparei-me com ele quando fui levantar um outro livro e... pimba! Comecei a ler e de imediato não me conquistou. A escrita desarmante e segura foi bem acolhida e pouco depois o espiríto do avô do autor tomou conta e fiquei rendida a uma história de vida genuína.E que história! Duríssima. A guerra. Um homem, um artista, que via com olhos de ver e deixa um importante testemunho.

O relato de guerra mais vivido que já li. Prosa profundamente sentida sobre as virtudes que sucumbiram no inferno das trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Paradoxo da trágica vida de um homem jogado para trás e para a frente, entre o militar que tinha forçadamente sido e o pintor que queria ter sido. Guerra e terebintina.

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