quinta-feira, 17 de maio de 2012

Fragmento

"Percorreu com os olhos semicerrados as frases da contracapa e das badanas e concluiu que podiam estar em qualquer dos seus livros anteriores: pensamentos já pensados, histórias já acontecidas, diálogos já ditos. Não podia existir nada mais triste do que um escritor que se copiava si próprio constantemente. Como era possível não se cansarem dela? E, no entanto, a sua legião de fãs aumentava a cada novo título como vampiros que se alimentavam de frases que se esvaziavam com uma rapidez extraordinária. Dedicara até então, a vida ao comércio da linguagem e não se sentia orgulhosa disso. Quando observava um livro assinado por si, acabado de ser impresso, ainda por folhear, virava-o e revirava-o nas mãos e desejava secretamente que não fosse seu."


 pags. 43/44

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