quarta-feira, 1 de maio de 2013

Os filhos do Zip-zip


Autor: Helena Matos
Edição: 2013, Março
Páginas: 352 + 16 extratextos
ISBN: 9789896264604
Editora: Esfera dos Livros

Sinopse:
Em 1960 existiam em Portugal 31 256 televisores. Dez anos depois, eram dez vezes mais: 387 512 televisores. Uma televisão custava, em média, 5000$00. Um valor significativo à época, mas um bem sentido como necessário por todos. Rodar o botão e esperar que o ecrã sintonizasse era um ritual. O país parava em frente à televisão. Para ver As Conversas em Família de Marcello Caetano, para ver chegar o homem à Lua ou para assistir a um programa que mudou a forma de ver televisão em Portugal. Marcou uma geração e transformou um país. Zip-Zip.

Um programa coapresentado por Carlos Cruz, Raul Soldado e Fialho Gouveia. Pelo Zip-Zip passaram desde Almada Negreiros a um anónimo limpa-chaminés que nunca havia sonhado aparecer no pequeno ecrã. Houve polémica, transgressão, riso e muito divertimento.
Portugal estava em mudança. Salazar caíra da cadeira e cheirava-se a abertura da Primavera Marcelista que durante uns tempos nos permitiu sonhar. Os portugueses trocam as suas aldeias pelos subúrbios de Lisboa que veem nascer prédios a uma velocidade vertiginosa, onde antes existiam campos de cultivo. As crianças passavam mais tempo na rua a brincar do que dentro de portas. Trocavam cromos e pelo Natal recebiam pistolas para brincar aos cowboys, se fossem meninos, e bonecas se fossem meninas. As conversas de café andavam à volta do que se via na televisão ou dos emocionantes jogos de futebol. As compras eram feitas nos primeiros supermercados abertos pelo grupo Pão de Açúcar que despertaram a euforia consumista. As mulheres sonhavam com os modelos que apareciam nas revistas, com os mil produtos e eletrodomésticos que garantiam uma vida doméstica mais fácil e com os cremes que prometiam milagres no rostos e no corpo. A juventude dançava ao som do rock and roll, enquanto os pais ouviam falar pela primeira vez do flagelo da droga.

A minha opinião:
O título do livro inicialmente não me tentou. Não tenho memórias sobre esse programa que dava visibilidade a pessoas comuns e que muitos recordam com nostalgia. 

Duas séries televisivas demonstraram o interesse por um passado recente, mas em convívio social já estabelecíamos paralelismos entre o que fora e o modo de vida atual, para assombro dos nossos filhos  A liberdade de brincar na rua e como o fazíamos. O quotidiano, são memórias que tenho mais presentes e  algumas estão a desvanecer com o tempo. Portanto, foi com gosto que entrei nesta leitura de investigação, bem fundamentada com muitos dados e imagens e algumas estatísticas que fazem toda a diferença para melhor compreensão do muito que mudou.

Retrato de época/ década de setenta (entre 1968 e 1974) da sociedade portuguesa. Demográficamente jovem, em crescimento económico, numa ditadura com Marcelo Caetano, rígido, e que sustentava as guerras em África para manter as colónias. Emigração para países como Alemanha e França e êxodo rural para as periferias de Lisboa e toda uma mudança de hábitos do quotidiano e mentalidades.

Não é necessariamente um livro para se ler compulsivamente. Pode ser leitura de mesa-de-cabeceira, a ler pausadamente por capítulos. Por temas. Se recordar é viver, muitos poderão recordar um tempo que já lá vai e assim melhor os hábitos de leitura. 

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