quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Português Inquieto

Autor: Kunal Basu
Edição: 2012, Abril
Páginas: 432
ISBN: 9789892318103
Editora: ASA

Sinopse:
Lisboa, 1898: António Maria, jovem médico e afamado playboy, descobre que o seu pai está a morrer de sífilis, a terrível praga que afecta todas as camadas da sociedade. Órfão de mãe desde criança, António não se conforma com a ideia de perder o pai tão cedo. Mas os seus conhecimentos médicos de nada servem neste caso. Determinado a encontrar a cura, parte para Pequim, na esperança de que a medicina tradicional chinesa tenha a resposta que teima em escapar ao Ocidente. Sob a orientação do Dr. Xu, António inicia-se naquela prática ancestral. Contudo, esta não vai ser a sua única revelação a Oriente. Quando conhece a sedutora e independente Fumi, ele apaixona-se pela primeira vez.
Mas à sua volta, a violência eclode. A Rebelião dos Boxers ameaça todos os estrangeiros a viver no país. António terá de decidir-se rapidamente entre a fuga e a permanência na China, a sua segurança pessoal e a possível cura para o pai. E há ainda Fumi, o amor a que ele não tenciona renunciar e que o leva a questionar tudo, alterando irreversivelmente o rumo da sua vida.

A minha opinião:
O título, a capa e a sinopse deixaram-me inquieta ... por o ler. Um livro que promete e cumpre como sendo uma boa leitura.

Depois de ler O Gosto Proibido do Gengibre, de que tanto gostei, estava entusiasmada com este romance histórico. Uma narrativa sobre as aventuras de um português que na viragem para o século XX, viaja para um lugar distante e exótico para encontrar a cura para uma doença vergonhosa e atroz - a sífilis. Muito pouco sabemos hoje em dia, quanto tanto se fala na Sida, sobre esta doença sexualmente transmissível, que vitimava prostitutas, marinheiros, soldados e camponeses. Mas as classes priveligiadas também eram vitimas desta tenebrosa doença.

"A sífilis ... manisfestava-se de forma diferente em cada vitima. Em alguns casos, mantinha-se adormecida por vários anos, enquanto noutros atacava com toda a violência mal apareciam as primeiras feridas nas partes privadas. Era tão comum encontrar a campa de uma vitima jovem, que mal chegara à flor da idade, como a de um idoso que vivera uma longa vida, mesmo com sífilis."
(pags. 249/250)

António é uma personagem boémia, galante e carismática, muito parecido com o seu pai, um respeitado e conceituado médico.  Dois homens solitários ligados por uma ausência.

"Desde que António compreendera a irrevogável trajetória da caixa em que a sua mãe fora colocada, formara-se entre ele e o pai uma camaradagem silenciosa, fundada no imaginar do que poderia ter sido se ela ainda fosse viva."
(pag.19)

Uma narrativa colorida, pautada por descrições repletas de sons, cheiros e odores marcantes e distintos, personagens misteriosas e enigmáticas, diferentes e inspiradas, que nos transportam para um tempo e um lugar em conflito. Conflitos culturais e sociais numa espiral de violência e morte, onde António se apaixona por Fumi. Um amor obsessivo.

Um prazer de ler!

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