sábado, 23 de março de 2013

Fragmento

"Com o tempo sucede algo muito estranho.
Domina a nossa vida mais do que qualquer outra dimensão. Na verdade, tudo gira em torno do tempo que temos, o tempo que não temos, o tempo que nos resta. Esse é o tempo real. Um dia, dez meses, cinco anos. Mas depois está também o tempo que percebemos, que é o irmão caprichoso do tempo real. É o que faz com que uma hora de espera dure trinta e cinco minutos e que, por outro lado, a hora que nos resta para fazer uma coisa importante se veja reduzida num instante a oito minutos.
Escapa-nos, persegue-nos, e só existe um ponto no qual nós controlamos o tempo. São esses escassos momentos em que estamos imersos nele e por isso não o notamos. Então deixamo-lo em suspenso, detemos todas as pequenas rodas de engrenagem que encaixam tão bem umas nas outras, e vamos em ponto morto pela vida. 
São os momentos do amor."
(pag. 199)

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