quinta-feira, 25 de abril de 2013

Amuleto


Autor: Roberto Bolaño
Edição: 2013, Março
Páginas: 144
ISBN: 9789897220883
Editora: Quetzal

Sinopse:
A voz arrebatadora de Auxilio Lacouture narra um crime atroz e longínquo, que só virá a ser desvelado nas últimas páginas deste romance – no qual, de resto, não escasseiam crimes, sejam eles os dos quotidiano, ou os da formação do gosto.
Uruguaia de meia-idade, alta e magra como Dom Quixote, Auxilio ficou escondida na casa de banho das mulheres, enquanto a polícia ocupava, de forma brutal, a Faculdade de Filosofia e Letras da Cidade do México, em 1968.

Durante os dias que aí permaneceu, os lavabos converteram-se num túnel do tempo, que lhe permitiu rememorar os anos vividos no México e antever os que estavam por vir.
Neste exercício evoca a poeta Lilian Serpas, que foi para a cama com Che, e o seu desafortunado filho; os poetas espanhóis León Filipe e Pedro Garfias, a quem Auxilio serviu voluntariamente como empregada doméstica; a pintora catalã Remedios Varo e a sua legião de gatos; o rei dos homossexuais da colónia Guerrero e o seu reino de terror; Arturo Belano, uma das personagens centrais de Os Detetives Selvagens; e a derradeira imagem de um assassínio esquecido.

A minha opinião:
Tal como a capa indicia, é um tanto dramático, nostálgico mas o que mais me dificultou a leitura foi por ser um tanto delirante com saltos temporais, apesar de uma escrita direta, frontal e vigorosa que perturba pela sua força.
Um romance de pequenas dimensões mas que não se lê de ânimo leve e compulsivamente. Para ser compreendido, assimilado, e refletido. 
No final, não sei se consegui atingir tudo o que tinha para me dar e numa outra fase irei relê-lo. Alegoria a uma geração de latino-americanos que caminharam para o abismo e cantaram o amor, o desejo e o prazer que tiveram? Não sei.

Auxilio Lacouture que conheceu e conviveu com grandes nomes da cultura mexicana, é Uruguaia de meia-idade, alta e desdentada, exilada na cidade do México sem documentos, sujeita à solidão e á fome mas generosa e corajosa - a mãe de todos os poetas. Uma mãe que nunca o foi, e que observa e admira os poetas precocemente desaparecidos da vida mas não da memória dos homens.

Não é o livro mais indicado para ler em pequenas pausas como eu fiz. 

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