sexta-feira, 8 de março de 2019

Tanta gente, Mariana | As palavras poupadas

A minha opinião:
Gosto de contos. Histórias pequeninas que fazem eco em nós. O que mais gosto numa história é o princípio e o fim e nos contos estes estão bem mais próximos.

Os contos de Maria Judite de Carvalho não me "chamaram"até um destes dias e agora sei porquê.

Lá fora chove e senti a solidão, o desamparo e desesperança.
Tanta Gente, Mariana. Há pessoas assim, que cedo sentem que estão sós. Que ninguém fará nada por elas. E outras desejam e deixam a vida escoar sem concretizar o sonho. Acabei por rir com A Avó Cândida. Curioso título A mãe para o conto que li a seguir. Ainda refleti sobre este e outros aspectos de que tanto gostei. A ânsia por mais dinheiro mesmo para quem tem e não tem a quem o deixar, nem tempo para o gastar ou gozar. O vazio imenso de uma mulher casada com um ser assim. Condoi-me com A menina Arminda que ainda em criança perdeu a inocência e quis amar um filho que não era seu. Noite de Natal perdeu Emilia a esperança. Desencontro não tem muito que se lhe diga. É apenas isso. O passeio de domingo marcou-me mais.

As palavras poupadas é o segundo mais longo conto deste livro e o que menos gostei. E então, cansei. Cansei de tanto sofrimento psicológico e vazio emocional. Cansei de narrativas monocromáticas. Cansei porque faltava algo que me desse animo para prosseguir a leitura e no intimo sempre soube que seriam contos magistralmente bem escritos mas amargos e eu gosto de agridoce.

Autor: Maria Judite de Carvalho
Reimpressão: 2018/ maio
Páginas: 240
ISBN: 9789898866219
Editora: Minotauro

Sinopse:
A presente coleção reúne a obra completa de Maria Judite de Carvalho, considerada uma das escritoras mais marcantes da literatura portuguesa do século XX. Herdeira do existencialismo e do nouveau roman, a sua voz é intemporal, tratando com mestria e um sentido de humor único temas fundamentais, como a solidão da vida na cidade e a angústia e o desespero espelhados no seu quotidiano anónimo.

Observadora exímia, as suas personagens convivem com o ritmo fervilhante de uma vida avassalada por multidões, permanecendo reclusas em si mesmas, separadas por um monólogo da alma infinito.

Este primeiro volume inclui as duas primeiras coletâneas de contos de Maria Judite de Carvalho: Tanta Gente, Mariana (1959) e As Palavras Poupadas (1961), Prémio Camilo Castelo Branco.

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