quarta-feira, 27 de março de 2019

Uma Questão de Conveniência

A minha opinião:
Quando vi este livro não percebi que era um romance. Pensei que era mais um livro de culinária. Depois, vi uma crónica sobre o mesmo e soube que tinha de o ler. Num instantinho.

Um livro fino, escrita sóbria, linguagem cuidada e desarmante. O tipo de lógica elementar para uma extraordinária crítica social. Recordou-me um outro romance "A Educação de Eleanor".

A sociedade não aceita bem a diferença. Todos têm de encaixar num padrão. Keiko era estranha. E trabalhava numa loja de conveniência. Um emprego temporário. A própria família considerava-a doente e esperava que recuperasse. E Keiko apesar de não se inquietar com as perguntas, gostava da aceitação dos outros. Durante 18 anos sentia que fazia parte de algo até que um dia alguém entrou na sua vida. 

O enredo é este. E se não fosse japonês poderia ter outro desenvolvimento. Mas, não seria especial. Ou subtil e encantador. Ou comovente e divertido. Não seria tão bom. 

Autor: Sayaka Murata
Tradução: Ruth
Edição: 2019/ fevereiro
Páginas: 168
ISBN: 9789896168711
Editora: Gradiva

Sinopse:
Keiko foi sempre estranha - e os pais perguntam-se onde encaixará ela no mundo real. Por isso, quando a rapariga resolve ir trabalhar para uma loja de conveniência, a notícia é recebida com entusiasmo, até porque na loja ela encontra um mundo bastante previsível, que domina com a ajuda de um manual e copiando os colegas até na forma de falar.

Mas aos 36 anos é ainda na mesma loja de conveniência que trabalha, e além disso nunca teve um namorado, frustrando as expectativas da sociedade… Embora Keiko não se importe com isso, sabe que a família e os amigos estão mais ou menos desesperados. Um dia, porém, é contratado para a loja um rapaz com o qual Keiko tem algumas afinidades. Não será então aconselhável para ambos um relacionamento?

Sayaka Murata, uma das vozes mais originais e talentosas da ficção contemporânea japonesa, capta brilhantemente a atmosfera de uma loja de conveniência e satiriza as obsessões que regem a sociedade contemporânea e a pressão exercida sobre as mulheres no sentido de cumprirem expectativas alheias, com o pretexto de terem uma vida normal.

Uma Questão de Conveniência, que venceu o prémio Akutagawa e foi traduzido em mais de vinte países, é o retrato de uma heroína deliciosa que promete ser tão memorável como Amélie Poulain. 

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