quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Ouro do Inferno



Autor: Eric Frattini 
Edição: 2011
Páginas: 448
ISBN: 978-972-0-04341-2
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Berlim, 1945: entre os escombros de uma capital arrasada, Hitler enfrenta as suas últimas horas de vida.

Ou será que não?

Numa Europa devastada pela segunda guerra mundial, o jovem seminarista August Lienart vê-se implicado numa operação de grande escala: uma organização enigmática tenta encontrar uma via de escape para os nazis e lançar os alicerces para a construção do Quarto Reich.

Quem estará por trás da sinistra organização secreta em cujas teias se enreda Lienart? Estará a Igreja Católica envolvida na fuga dos criminosos de guerra?

Uma incrível e fascinante intriga, plena de suspense e mistério, até à última página.

A minha opinião:
Depois de ler O Labirinto de Água não podia deixar de ler este novo romance deste autor. Fiquei cativa da sua prodigiosa capacidade de criar uma narrativa fascinante e elaborada, com muitas personagens históricas e com  base em factos reais.  Crimes, intriga, espionagem, acção, romance neste thriller histórico que quando comecei a ler se tornou imparável.
Segundo o próprio autor, este livro «tem um terço de fantasia, um terço de realidade e um terço de recriação da realidade».

Controverso porque mais uma vez o foco é sobre a igreja católica.  Reencontro com a personagem August Lienart, que no anterior livro era o maléfico cardeal  do Vaticano com assasinos a cumprir os seus designios e neste é uma personagem que vai crescendo na trama enquanto "eleito" para o renascimento de um quarto Reisch.
O papel da Igreja Católica perante a organização Odessa, criando uma rota de evasão para os princípais dirigentes nazis, designado como o Corredor do Vaticano, em troca de uma boa quantia de ouro. Ou por convição.

"Lienart não compreendia como aqueles SS, pessoas normais, cidadãos vulgares muitos deles até com um elevado nível intelectual, se tinham entregado à causa de executar pessoas sem o mais pequeno indício de humanidade, em nome de uma ideologia, da pureza de uma raça."  
(pag. 90)
É importante ler as Notas do Autor no fim do livro para quem não sabe o bastante ou não consegue compreender a História. 

Outro aspeto desta narrativa é o papel da Suiça e dos seus banqueiros, os seus industriais e as suas indústrias que abasteceram Hitler com milhões, o que permitiu aos alemães adquirir matérias-primas e manter a máquina bélica. Também banqueiros, negociantes de arte, advogados ou joalheiros ocultaram e branquearam o ouro enviado pela SS.

"Amigo Mason, não esqueça o que lhe vou dizer. A nossa geração não se lamentará tanto dos crimes dos preversos como do estremecedor silêncio dos homens bons. Na sua Suiça neutral foram inclusivamente perseguidos aqueles bons que tentaram gritar, pelo que o senhor e eu fizemos parte do grupo dos silenciosos que se converteram em aliados do mal, em testemunhas silenciosas do diabo representado por Hitler e pelos seus. Estou certo de que esse pensamento nos irá acompanhar até ao túmulo - disse.
Estas talvez fossem palavras proféticas para muitos homens de toda uma geração."
(pag. 368)

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