sábado, 30 de junho de 2012

A Sorte de Jim

Autor: Kingsley Amis
Edição: 2011, Maio
Páginas: 368
ISBN: 9789897220104
Editora: Quetzal

Sinopse:
James (Jim) Dixon é um jovem professor universitário de história medieval aborrecido com o seu trabalho e lutando por sobreviver a uma sociedade burguesa e provinciana. Nas várias frentes – superiores hierárquicos, colegas, alunos, namoradas – os equívocos, as maquinações, os mal-entendidos, os favoritismos (também exercidos por ele próprio) concorrem para o seu tormento. Jim fuma e bebe em demasia e dirige-se à desfilada para um ponto de rutura.
Jim terá a sorte de conseguir escapar às armadilhas das circunstâncias, libertar-se, sair por cima. Mas quão livre será o novo Jim?
Uma obra-prima sobre o homem em conflito com uma realidade ilegível, uma comunicação deteriorada por jogos, um ego imperscrutável e uma sociedade repressiva.
Considerado por Christopher Hitchens o livro mais divertido da segunda metade do século XX e, por Toby Young, o melhor romance cómico do século XX, A Sorte de Jim é uma hilariante sátira da vida académica britânica e um marco na literatura do pós-guerra.

A minha opinião:
Difícil entrar na estória e embrenhar-me na leitura. Possivelmente, por razões subjetivas como cansaço, depois de um ano exigente e muitas leituras.

Estava expectante em relação a este romance, porque numa critica referida ao alto da capa, era considerado como "O romance mais divertido da segunda metade do século XX", mas Jim é uma personagem cínica, critica e amargurada que narra um período da sua vida numa linguagem elaborada, cuidada, com recurso a figuras de estilo como ironia e sarcasmo. O humor é negro como a personagem que se sente frustado, e sobressai medo, irritabilidade, compaixão e aborrecimento. No meio, algumas situações hilariantes.

Uma análise aproximada da realidade, sobre a complexidade das relações humanas em contexto laboral, onde os interesses, favores e manobras visam a atingir certos fins e não os mais nobres. Uma sátira de usos e costumes atual.

Bem escrito mas uma leitura exigente e nada fácil. Não foi um dos meus preferidos. Mas mais uma vez, reconheço que tem mérito mas não surgiu no meu melhor momento.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Fragmento

“Na fotografia, Ethel encontrava-se numa fase inicial de remissão da doença, embora ainda lhe faltasse grande parte do cabelo à conta da radioterapia. O cabelo não caiu todo ao mesmo tempo, como se vê nos filmes. Foi caindo em tufos desiguais, grossos nalguns pontos, ralos noutros. Ela pedira a Henry que pegasse numa tesoura e o cortasse rente, coisa que ele fez a contragosto. Foi o primeiro de vários momentos íntimo que os dois partilhariam – uma longa licença sabática para Henry, que passou a dedicar-se exclusivamente aos cuidados diários da mulher, parte da mecânica da morte. Henry fizera tudo o que pudera. Porém, optar por cuidar carinhosamente dela foi como virar um avião para uma montanha o mais suavemente possível. O desastre é iminente; a única coisa que conta é a forma como passamos o tempo em plena queda.”

(pag. 42)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O Gosto Proibido do Gengibre



Autor: Jamie Ford
Edição: 2011, Maio
Páginas: 320
ISBN: 9789720043344
Editora: Porto Editora

Sinopse:
1986. Henry Lee, um americano de ascendência chinesa, junta-se a uma multidão que se encontra à porta do Hotel Panama, outrora o ponto de encontro da comunidade japonesa de Seattle. O hotel esteve entaipado durante décadas, mas a sua nova proprietária descobriu na cave poeirenta os pertences das famílias japonesas que, após o ataque a Pearl Harbor, foram enviadas para campos de internamento. Quando uma sombrinha de bambu é exibida, Henry recua quarenta anos e recorda Keiko, uma jovem de ascendência japonesa com quem criou um profundo laço de amizade e de amor inocente que ultrapassou os preconceitos ancestrais que opunham as duas comunidades. Quando Keiko e a sua família são enviados para um campo, apenas resta aos dois jovens esperar que a guerra termine para que as promessas que fizeram um ao outro se possam finalmente cumprir.
Passados quarenta anos, Henry, agora viúvo, ainda tenta encontrar uma explicação para o vazio que o acompanhou desde então; para a atitude distante de um pai que nunca entendeu; para a relação difícil com o filho; e, sobretudo, uma explicação para as suas próprias escolhas.

O Gosto Proibido do Gengibre é um romance extraordinário, que nos revela uma das épocas mais conflituosas da História dos Estados Unidos.

A minha opinião:
Tudo neste romance é terno, suave, delicado. Belo. Uma estreia absolutamente imperdível. Um autor de referência em futuros romances.

Uma parte da história (para mim menos conhecida) que não deve ser esquecida.  Discriminação étnica, raiva e cegueira contra cidadãos americanos de ascendência asiática em comunidades vizinhas mas em lados opostos na 2ª Guerra Mundial. Através da narrativa suave de Henry caminhamos a par e passo  ao passado e recordamos um outro ângulo da Guerra em que sentimos e interiorizamos uma lição. Que não é a cor da pele ou a aparência fisica que nos define mas o que fazemos e aquilo que as nossas ações dizem sobre nós.

Henry Lee recua 40 anos e recorda a amizade genuína e o seu primerio amor por Keiko. Um amor proibido. Um amor marcado pela dor e sofrimento do pai quando orfão emigrou para os EUA. Um amor afastado quando milhares de japoneses foram isolados em campos vedados e vigiados por homens armados. Um amor perseguido pela incompreensão humana em tempo de guerra.

"Henry estava a aprender que o tempo tende a criar distância, mais do que as montanhas e o fuso horário que os separavam. Uma distância real, aquela que nos faz sofrer e parar de pensar. São tantas as saudades que um sentimento tão grande começa a magoar."
                                                                                                                              (pag. 274)

A dificuldade comunicacional entre pais e filhos em que entram valores como a honra e a lealdade. A resistência humana quando a esperança é o alimento que os sustenta e tanto mais, que torna dificil saber como comentar este romance que tanto nos dá e muito nos acrescenta. Escrito com alma e coração.

Um grande, grande, grande prazer de ler.

terça-feira, 19 de junho de 2012

O Anjo que Queria Pecar

Autor: Francisco Salgueiro
Edição: 2012, Abril
Páginas: 240
ISBN: 9789895559459
Editora: Oficina do Livro


Sinopse:
O «Mistério da Boca do Inferno» assombrou gerações durante décadas. O inexplicável desaparecimento do célebre mestre do oculto e da magia negra Aleister Crowley, com a conivência do escritor Fernando Pessoa, colocou Portugal e a Europa em sobressalto nos anos 30.
Mas, factos só agora revelados demonstram que a conspiração se prolongou muito para lá do seu tempo, chegando aos dias de hoje e envolvendo uma perversa teia de sexo e manipulação orquestrada por uma criatura demoníaca, da qual foi vítima o Anjo que Queria Pecar.
Os títulos de cada capítulo do livro são frases escritas por Fernando Pessoa ou por seus heterónimos.

A minha opinião:
A capa é atraente e o título sugestivo, mas o que me convenceu foi o prólogo com a última frase convicta  do autor de que não conseguiria parar de ler. Um mistério finalmente revelado sobre o desaparecimento na Boca do Inferno, de uma sinistra personagem associada à magia negra, que infundia respeito ou temor - Aleister Crowley.
(Não é o primeiro livro que leio de um autor português que recorre a estes temas de fundo - espiritismo ou ocultismo  - o que não deixa de ser interessante num país onde a cultura e a religião é católica).

Romance, intriga policial, thriller manteve-me cativa da trama até ao final. O veredicto do autor confirmou-se, por mais estranho que isso me possa parecer, não consegui parar de o ler. Talvez, também eu tenha sido vitima das mensagens subliminares de que recentemente ouvi falar.

Não conheço o suficiente da obra, vida e personalidade de Fernando Pessoa para fazer paralelo com a personagem, mas creio que apesar de alguma pesquisa, trata-se de uma mera obra de ficção, fruto da imaginação do autor. De qualquer modo, todos sabemos um pouco sobre Fernando Pessoa, considerado um dos maiores poetas portugueses, mas um homem solitário e com um tremendo dessassossego interior que, se destacou assim pela sua genialidade mas se suicidiou aos 47 anos.

Intenso e perturbador com toda a envolvência de medo que transfigura tudo o que conhecemos e que sugestiona a comportamentos irracionais e violentos. Forte pulsão sexual em toda a narrativa que marca a conduta das personagens. Ficção a partir de personagens e factos reais.

Realço os pequenos capítulos com titulos retirados de frases do poeta neste pequeno livro que me supreendeu e agradou.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Melodia do Amor

Autor: Lesley Pearse
Edição: 2011, Agosto
Páginas: 520
ISBN: 9789892315973
Editora: ASA

Sinopse:
Liverpool, 1893. Os sonhos de Beth são desfeitos quando ela, o irmão Sam e a irmã mais nova, Molly, ficam órfãos. As suas vidas, até então tranquilas e seguras, sofrem uma dramática reviravolta. Para escapar a um futuro de miséria e servidão, Sam e Beth decidem arriscar tudo, atravessar o Atlântico e partir à conquista do sonho americano. Mas Molly é demasiado pequena para os acompanhar e os irmãos vêem-se obrigados a tomar uma decisão que os marcará para sempre: deixá-la em Inglaterra, a cargo de uma família adoptiva.
A bordo do navio para Nova Iorque não faltam vigaristas e trapaceiros, mas o talento de Beth com o violino conquista-lhe a alcunha de Cigana, a amizade de Theo, um carismático jogador de cartas, e do perspicaz Jack. Juntos, os jovens vão começar de novo num país onde todos os sonhos são possíveis.
Para a romântica Beth, esta será a maior aventura da sua vida. Conseguirá a Cigana voltar a encontrar um verdadeiro lar?

Uma história de amor incondicional e coragem sem limites. Um livro irresistível, da autora de Nunca me Esqueças, Procuro-te e Segue o Coração.

A minha opinião:
Uma epópeia vertiginosa de leitura compulsiva. Volumoso, mas de rápida leitura porque muitas são as aventuras, a um bom ritmo e com muita acção. Apesar de baseado em factos reais não deixa de ser claramente uma obra de ficção.

Este é um daqueles romances que nunca chamaram a minha atenção. A capa até é bela na sua simplicidade, mas a sinopse não captou o meu interesse. Contudo, apesar de não ser um best-seller é um romance agradável e bem construido, com personagens carismáticas, em que narra um período da história quando muitos procuravam melhores condições de vida ou mesmo fugir à miséria, e embarcavam à conquista do sonho americano. Primeiro Nova Iorque,  depois Filadélfia, a fuga para  Montreal e finalmente a corrida ao ouro em Dawson City, no Yukon, Canadá.

A personagem principal, Beth Bolton - A Rainha Cigana é uma superheroína - jovem, bela, forte, corajosa e muito talentosa, que arrebata a admiração e o aplauso dos muitos que a ouvem tocar violino. Acompanhada do irmão e de dois amigos, vão viver inumeras dificuldades e peripécias. O desfecho não me surpreendeu, aliás pareceu-me previsível (muitos romances lidos), mas ainda assim foi uma leitura empolgante como se projetasse toda a história em filme.

       "Ocorreu-me que nunca antes tinha conhecido um paz tão perfeita.  Desde que se conseguia recordar, sempre houvera gente e barulho à sua volta. Até nas montanhas, no trilho, houvera sempre pessoas por perto. Em Dawson, perguntara muitas vezes a velhos garimpeiros que viviam a quilómetros de distância  do vizinho mais próximo como conseguiam aguentar tamanho isolamento. Quase todos diziam que o adoravam. Fazia agora uma pálida ideia do porquê. O silêncio curava todos os males."
pag. 462

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Emmi e Leo - A sétima ond@

(Novidade que anseio ler, depois de Quando sopra o vento norte

Sinopse:
«Pensas que não te vejo, que não te sinto. Engano. Puro engano. Quando te escrevo, seguro-te bem junto a mim.»

Emmi e Leo são os protagonistas de um amor virtual apaixonante, que passou por todo o tipo de emoções, menos a de um encontro físico. A relação, iniciada no irresistível Quando sopra o vento norte, parece ter chegado a um impasse. Leo decide partir para os EUA, renunciando a um amor impossível.
Quando regressa, longos meses depois, o encontro entre ambos concretiza-se. Mas Emmi continua casada e Leo tem em Pamela o amor estável com que sempre sonhara.
Só que, na verdade, os dois amantes nunca estiveram mais apaixonados. Conseguirão eles, por fim, vencer o destino que parece teimar em separá-los?

Nota pessoal:
Não me considero viciada em compras mas há livros que se tornam uma verdadeira tentação depois de ter sentido imenso gozo a ler um outro livro, deste ou daquele autor. Tenho, devido ao delicado/ difícil momento económico em que vivemos, procurado conter estes meus impulsos consumistas mas, acabo por me persuadir que são um investimento e que muito, muito, muito mais tarde, irão constar do meu "testamento" (esperemos que haja algo mais com valor para o fazer) como herança para quem os valorizar.
Livros considero que são um bem essencial para o bem estar psiquico e emocional do ser humano. Cada um escolhe o que melhor lhe convêm, e obtêm conhecimento, e/ou sensações e emocões diversas. De qualquer modo, um livro acrescenta-nos sempre algo, mesmo que o armazenenos numa gaveta da memória.
Portanto, creio que na medida do possível, irei sempre sucumbir a um ou autor que admiro, e adquirir este ou aquele livro pelo prazer de o ler.

A última carta de Amor


Autor: Jojo Moyes
Edição: 2012, Junho
Páginas: 456
ISBN: 9789720043702
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Inglaterra, 1960. Quando Jennifer Stirling, uma mulher de vinte e sete anos, acorda no hospital, após um trágico acidente de automóvel, não tem qualquer lembrança da sua vida passada. Não reconhece o marido, não recorda a sua própria casa e tão-pouco se identifica com a vida que lhe dizem ser a sua. Quando encontra uma carta apaixonada, escrita por um homem que assina apenas «B» e que lhe pede para abandonar o marido, irá a todo o custo tentar descobrir a identidade desse homem, enquanto enfrenta os preconceitos sociais estabelecidos.
Anos volvidos, em 2003, uma outra mulher, Ellie, descobre nos arquivos poeirentos do jornal onde trabalha a mesma carta enigmática. Fica de imediato obcecada pela história, que lhe permitirá escrever um artigo que relance a sua carreira e talvez até a ajude a lidar com a sua própria vida amorosa. Afinal, se aquela história tiver tido um final feliz, quem lhe garantirá que o homem com quem se envolveu não acabe também por deixar a mulher?
Uma história de amor apaixonante e arrebatadora, com um final absolutamente inesperado.
 
A minha opinião:
Emotivo, intenso e surpreendente, o que se traduz num excelente romance. Imperdível. Vencedor do prémio Romantic Novel of the year 2011.

Jojo Moyes é uma escritora de referência para mim. Como tal, este romance chamou-me imediatamente a atenção. Mas o que tem este romance de tão especial para quem já leu tantos e tão bons romances?

       "Jennifer Stirling senta-se no sofá forrado a seda. o café a arrefecer no colo, e conta a história de uma jovem esposa no Sul de França, de um marido que, segundo ela, não era melhor nem pior do que os maridos dessa época. Um homem do seu tempo, incapaz de expressar as suas emoções, que considerava um sinal de fraqueza. E depois conta-lhe a história de um homem diametralmente oposto, um homem rezingão, obstinado, apaixonado, magoado pela vida, que a perturbou desde a noite que o conheceu num jantar ao luar."    (pag. 337)

Uma história de amor arrebatadora,  aliás duas histórias (uma passada na década de 6o e a outra em 2003), contada de um modo absorvente e viciante repleto de ação e emoção. Divida em três partes, em que no ínicio de cada capítulo há uma missiva passional, seja carta, email ou sms, reais, em que a autora realça a importância das palavras escritas no sentir de quem as escreve e de quem as recebe.

Um amor de uma vida composto apenas por memórias e cartas sem uma única foto.

       "Mas percebi, que no meio do caos, ter alguém que nos compreenda, que nos deseje, que nos veja como uma versão melhor de nós próprios é o presente mais maravilhoso de todos. Mesmo que não estejamos juntos. saber que, para ti, eu sou esse homem é uma fonte de sustentação para mim."
(carta de Rory para Ellie - pag. 370)

Mais do que palavras sobre o prazer e comoção que sentimos ao ler este romance, inspira-nos a sentir assim.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Segredos do Passado

Autor: Mary Nickson
Edição: 2012, Março
Páginas: 420
ISBN: 9789899711679
Editora: Noites Brancas
 
Sinopse:
Quando o passado nos limita, é preciso recomeçar uma nova vida, afastando as sombras da antiga. Segredos do Passado é uma bela história de amor passada entre lagos e castelos perdidos.
Há cinco anos, Isobel e Giles inauguraram um centro de artes na sua mansão escocesa. Agora, com mais um curso de escrita criativa prestes a iniciar-se, aguardam a chegada de um grupo a contas com o passado. Determinada a começar uma nova vida, Louisa Forrester parte para a Escócia em busca de aventura, novos relacionamentos e de uma segunda oportunidade.
Marnie Donovan é uma jovem americana que, após um passado marcado por vários abandonos, decide dar um novo sentido à vida. E para tal, quer encontrar a casa de infância de que a misteriosa benfeitora tanto lhe falara e assim honrar a sua memória.
Isobel Grant é uma mulher divertida e a perfeita anfitriã. Mas enquanto tenta manter as aparências de uma vida familiar idílica, enfrenta o maior desafio da sua vida, que coloca em causa o próprio casamento.
No decorrer do curso, Louisa e Marnie sentem uma crescente atração pelo enigmático Christopher Piper e, em pouco tempo, vão ser forçadas a encarar os seus medos mais recônditos e as escolhas que fizeram.
 
A minha opinião:
Uma estreia que não correu conforme as minhas expetativas. Reconheço as qualidades deste romance com uma narrativa cuidada e bem estruturada mas... não me prendeu.  Julgo que a excessivamente elaborada caracterização das personagens e de todo o ambiente que as rodeava numa letra muito miudinha, que dificultava a leitura, contribuiram para esta minha opinião. 
 
Um romance sobre o valor da amizade em pessoas com histórias de vida distintas e assaz dificeis, que resolveram experienciar um curso de escrita criativa num recanto belo da Escócia. Personagens emocionalmente ricas e consistentes que tem que ultrapassar traumas e dificuldades do passado ou então decifrar um enigma apresentado como uma caça ao tesouro para Marnie. 
As personagens que mais me cativaram foram as desavindas irmãs Isobel e Lorna que também elas disputaram o mesmo homem - Giles, tal como Marnie e Louisa por Christopher.  Emoções e sentimentos contraditórios em que o entendimento e a comunicação nas últimas, superou as diferenças.
 
Não deixa de ser um belo romance mas para mim foi muito extenso e descritivo. Uma escrita compassada e reflexiva que não foi oportuna. Talvez noutro momento consiga assimilar melhor este romance.

Fragmento

"A felicidade e a infelicidade são com frequência vizinhas uma da outra. Dito de outra maneira, poder-se-ia considerar que por vezes a felicidade se mete por uns atalhos bem estranhos. Não me tivesse Claude deixado naquela altura e, possivelmente, eu ter-me-ia ido encontrar com Bernardette naquela fria e nublada segunda-feira de novembro. Não teria andado a vaguear por Paris a sentir-me a pessoa mais solitária do mundo, não me teria, ao cair da noite e dominada pela autocomiseração, deixado ficar durante tanto tempo na Pont Louis-Phillipe a contemplar a água, não me teria refugiado do jovem polícia preocupado naquela pequena livraria situada na Île saint-Louis, e jamais teria encontrado o livro que viria a transformar a minha vida numa maravilhosa aventura."

                                             Pag. 23

LEITURA E PRAIA




(Assim aproveitei os últimos dias)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O Sorriso das Mulheres



Autor: Nicolas Barreau
Edição: 2012, Abril
Páginas: 292
ISBN: 9789898228895
Editora: Quinta Essência

Sinopse:
O livro mais encantador da temporada

Para Aurélie Bredin, as coincidências não existem. Jovem, sensível e atraente, é a proprietária de um pequeno e romântico restaurante, Le Temps des Cerises, situado no coração de Paris, a dois passos do Boulevard Saint-Germain.
Naquele pequeno restaurante forrado a madeira, com toalhas aos quadradinhos vermelhos e brancos, o seu pai conquistou o coração da sua mãe graças ao menu d’amour. E foi ali, rodeada pelo aroma do chocolate e da canela, que Aurélie cresceu e onde encontra consolo nos momentos difíceis da sua vida. Mas agora, magoada pelo abandono de Claude, nem sequer a calidez acolhedora da cozinha é capaz de consolá-la.
Uma tarde, mais triste que nunca, Aurélie refugia-se numa livraria. Um romance, O Sorriso das Mulheres, chama a sua atenção. Quando o folheia, descobre que a protagonista é inspirada nela e que Le Temps des Cerises é um dos cenários principais.
Graças a esta prenda inesperada, volta a sentir-se animada. Decide entrar em contacto com o autor, Robert Miller, para lhe agradecer. Mas isso não é fácil. Qualquer tentativa de conhecer o escritor – um misterioso e esquivo inglês – morre na secretária de André Chabanais, o editor que publicou o romance.
Porém, Aurélie não desiste e quando um dia surge efectivamente uma carta do autor na sua caixa de correio, acaba por daí resultar um encontro bem diferente daquele que tinha imaginado…

A minha opinião:
Espirituoso.

Mais do que encantador, penso que a plavra que melhor o define é Espirituoso. Um romance que nos predispõe bem, e nos mantêm um sorriso no rosto porque o autor com a sua sensibilidade  e genialidade captou bem a natureza feminina e fez deste romance UM PRESENTE DOS CÉUS (palavras dele).

Gosto de ler os prefácios e os posfácios e recomendo que o façam porque melhor compreendemos o que se passa (passou) na mente do autor. Neste caso:

       "... pretendo que este permaneça um lugar da fantasia, um lugar em que os desejos ganham contornos de realidade e tudo se torna possível. O sorriso das mulheres é um presente dos céus, é o ínicio de qualquer história de amor..."

Este romance é belo na sua simplicidade e verossimilhança. Aurélie e André são credíveis. Podem ser inventados mas também poderia ser baseado nas muitas reviravoltas de duas pessoas apaixonadas (ou pelo menos uma delas), que finalmente se encontram depois de muitas peripécias, algumas delas hilariantes, outras nem tanto ou até mesmo sofridas, num cenário tão maravilhoso e romântico como o de Paris - a cidade luz/ cidade do amor e entre os requintados aromas e sabores da cozinha francesa.

Aguçaram-me a curiosidade sobre este romance. E ainda bem porque é um romance que deveria mesmo ler. O sentimento expresso neste divertido romance de André por Aurélie desde que ficou cativo do belo sorriso de Aurélie e que seduziu com o seu primeiro romance.

Um prazer de ler!
(Não gosto de classificar o que leio mas não resisto a definir o que me agradou muito como um prazer de ler. Normalmente são livros que pretendo adquirir e mais tarde reler.)

domingo, 3 de junho de 2012

Um Erro Inconfessável

                                               

Autor: Emma Wildes
Edição: 2012, Janeiro
Páginas: 320
ISBN: 9789896572488
Editora: Planeta

Sinopse:
Um pedido diabólico requer uma solução diabólica.

Madeline May, a jovem viúva Lady Bewer, encontra-se num terrível dilema. Vítima de chantagem que se transforma em homicídio, torna-se claro que só um homem a pode ajudar: Luke Daudet, o mal-afamado visconde Altea, que está habituado a lidar com homens de reputação duvidosa e que ela despreza com todas as suas forças.
Como conhecedor de mulheres bonitas, Luke reconhece a atracção física que Madeline exerce sobre ele e o perigo que representa. Desde o momento em que se conheceram – e após uma inesquecível noite de paixão –, que sabe que é diferente. E quando recebe o fatídica pedido que lhe enviou, apercebe-se de que não conseguirá manter-se afastado…

A minha opinião:
Tinha curiosidade em ler esta autora que tantos elogiam. Contudo, não discerni grandes diferenças com outras escritoras de romances de época como Cheryl Holt e Laura Lee Guhrke, em que o foco está na relações afetivas de classes priveligiadas com personagens belas e magnânimas em que a sedução, voluptuosidade e sexo não faltam. Contos de encantar para adultos(as).
Quando recebi este romance é que reparei no lacinho cor-de-rosa que fecha o livro e soube que ia ler algumas descrições quentes dos encontros amorosos.

Uma leitura viciante porque as personagens são fascinantes, a narrativa é viva, e os sentimentos e emoções são o tema principal. Nesta estória são dois os romances. O de Madge e Altea,  e o de El (Elizabeth), irmã de Altea de quem era tutor, e Miles, primo por afinidade. A relação de El com Miles é divertida e impestuosa, sem que El perceba a paixão que os une. Miles sofre de ciumes e desejo. 

Espionagem e jogos de sedução num tempo em que a etiqueta e normas de conduta estipulavam como se relacionavam os ricos e priveligiados em sociedade. Títulos nobiliárquicos, posição social e bens/ dinheiro/ poder eram fundamentais para se acertarem casamentos entre iguais. Nem sempre resultavam em casamentos felizes.

Li demasiados romances do género num curto período de tempo e pretendo retomar o gosto por romances mais elaborados e/ ou realistas. Ainda assim funcionou para recuperar do cansaço e desgaste do dia-a-dia. Apimentada leitura.