quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Livraria

Autor:  Penelope Fitzgerald
Edição: 2011, Setembro
Páginas: 174
ISBN: 9789898452603
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
Inglaterra, 1959. Florence Green vive na pequena vila costeira de Hardborough, longe de tudo, e que se caracteriza precisamente por aquilo que não tem. Florence decide então, contra tudo e todos, abrir a primeira e única livraria da terra. Florence compra um edifício abandonada há anos, gasto pela humidade e com o seu próprio fantasma.
Como se não bastasse o mau estado da casa, ela terá de enfrentar as pessoas da vila que, de um modo cortês, mas inabalável, lhe demonstram a sua insatisfação com a existência da primeira livraria local. Só a sua ajudante, uma menina de dez anos, não deseja sabotar o seu negócio. Quando alguém sugere que coloque à venda a primeira edição de Lolita de Nabokov, a vila sofre um «terramoto» subtil, mas devastador. E finalmente, Florence começa a suspeitar da verdade: uma terra sem uma livraria é, muito possivelmente, uma terra que não merece qualquer livraria. A Livraria é uma obra-prima acerca do mundo dos livros, dos sonhos e das vicissitudes da vida, sob a forma de uma história envolvente e original.

A minha opinião:
Para mim este livro foi perturbadoramente inesperado. Não resisti a uma bonita e elegante capa acompanhada de uma sinopse intrigante com umas excelentes críticas, e embrenhei-me ansiosa na leitura.

Mas, o que se me deparou neste consistente livro foi uma muito bem caracterizada vila costeira e os seus habitantes numa narrativa nua e crua, sem apelo a sentimentalismos. Habituada que estou a personagens afáveis, ternas, solidárias e que criam empatia no leitor, não fiquei muito agradada no inicio. Nem mesmo com a corajosa, aliás sobrevivente viúva Florence Green que se decidiu a abrir a livraria porque

“Um bom livro é o precioso sangue vital de um espírito mestre, embalsamado e entesourado de propósito para uma vida para lá da vida, e como tal deverá seguramente ser um bem de primeira necessidade”.

Entretanto a personagem principal e o misterioso Mr. Brundish inquietaram-me e encantaram-me com a lucidez, integridade e a força das suas personagens no desenrolar dos acontecimentos, por oposição a toda uma vila que se subordinou aos caprichos de uma poderosa personagem.

Um livro que certamente não deixará ninguém indiferente porque “compreender torna a mente indolente”.

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